Debate democrata: Biden dá resposta mais direta ao pânico


Lourival Sant'Anna
Por Lourival Sant'Anna, CNN  
16 de março de 2020 às 01:23 | Atualizado 16 de março de 2020 às 13:03
Joe Biden e Bernie Sanders se cumprimentam usando os cotovelos

Em debate, Joe Biden (à esq.) e Bernie Sanders (à dir.) se cumprimentam usando os cotovelos por conta de pandemia de coronavírus

Foto: Kevin Lamarque/Reuters

O senador Bernie Sanders foi, como sempre, mais ágil e mais hábil em pressionar o adversário e manter a iniciativa no debate da CNN na noite de domingo. Mas o ex-vice-presidente Joe Biden trouxe um discurso mais modulado para a angústia atravessada pelos americanos diante da proliferação do coronavírus.

Biden garantiu que ofereceria todos os benefícios que Sanders promete para os afetados pela pandemia, como a renda dos que terão de faltar ao trabalho, os cuidados para as crianças que ficaram sem aulas, as contas dos hospitais e medicamentos. Além disso, insistiu num plano de montar hospitais de emergência, com a ajuda dos militares. 

Em contraste, as mudanças estruturais propostas por Sanders, resumidas na palavra “revolução”, romperiam com o que existe, prejudicariam a economia, e não resolveriam os problemas imediatos dos americanos, argumentou o ex-vice-presidente. 

Já Sanders se esforçou por mostrar que os americanos estão desprotegidos porque os outros políticos — incluindo Biden — não têm “coragem" de enfrentar os interesses dos poderosos para fazer as mudanças necessárias. Até acusou seu colega de partido de receber doações dos bancos e da indústria do petróleo. Ao que Biden rebateu dizendo que Sanders está gastando muito mais na campanha do que ele.

Biden procurou se apresentar como o candidato mais experiente, mais preparado, lembrando que já esteve muitas vezes na Situation Room, a sala de emergências da Casa Branca, como vice-presidente durante oito anos. Insistiu também que a solução dos problemas americanos requerem liderança internacional, valorizando, de novo, sua experiência.

Sanders tem um plano bem mais ambicioso e mais caro do que Biden para combater a emissão de carbono — como aliás em quase todas as áreas. Em contrapartida, Biden mencionou até uma proposta de destinar US$ 20 bilhões de ajuda para o Brasil, para preservar a Amazônia: “com as queimadas, eles estão emitindo mais carbono agora do que em um ano todo”. Ambos se comprometeram a proibir a extração do petróleo da rocha de xisto, cuja fratura tem alto impacto ambiental.

Biden disse que pretende escolher uma mulher para ser a vice em sua chapa e nomear a primeira negra para a Corte Suprema. Sanders afirmou que “muito provavelmente” também indicará uma mulher para sua companheira de chapa, e não só mulher, mas “progressista”.

Os dois prometeram se engajar na campanha um do outro, se derrotados nas primárias. Se a tendência atual se confirmar, será Sanders quem terá de cumprir essa promessa.