Como os Estados Unidos estão fazendo testes de coronavírus

Luiza Duarte Da CNN, em NY
31 de março de 2020 às 09:44
Drive-through de testes para o coronavírus operando no bairro do Queens, em Nova York, Estados Unidos
Foto: Luiza Duarte/ CNN

É preciso 40 minutos de carro da ilha de Manhattan até o primeiro ponto de testes para o novo coronavírus operando no estado de Nova York, na costa leste dos Estados Unidos.

A pequena cidade de New Rochelle, ao norte da capital do estado, foi classificada como “área de contaminação”. No início de março, se tornou o foco da pandemia do coronavírus no país. Três semanas depois, o estado de Nova York registra mais de um terço dos casos confirmados de Covid-19 em solo americano e cerca de 9% dos casos globais da doença.

Não por acaso, um parque nessa região foi convertido em ponto de testes. Tendas foram instaladas em uma área aberta, para reduzir as chances de contágio. Na entrada, um carro da polícia controla - com a ajuda de um alto falante - quem pode seguir em frente com as janelas fechadas. Profissionais de saúde com macacão de proteção, luvas e máscaras fazem a coleta de material em pacientes ainda dentro dos carros. O exame dura segundos e o resultado sai em dois ou três dias.

O país está em estado de emergência e Nova York paralisada pelas medidas de isolamento para conter a doença, mas não há testes para todos. Muitos americanos doentes continuam sem conseguir ser testados. Ao menos 27 milhões de pessoas no país não possuem seguro saúde e o custo de uma possível hospitalização pode significar a falência de famílias. Sem direito à licença médica, muitos precisam continuar trabalhando, mesmo quando os sintomas aparecem.

Nos primeiros dois meses desde a descoberta do vírus, o baixo número de testes aplicados no país rendeu duras críticas ao governo do presidente americano Donald Trump. Nesse período, milhares de testes foram aplicados pela Coreia do Sul e China. A identificação de pessoas infectadas foi parte crucial da resposta de saúde pública nesses países e os números contribuíram para entender o avanço da pandemia.

Relatos sobre as restrições para se qualificar para os testes e a falta de kits disponíveis em diversas partes dos Estados Unidos inundaram as redes sociais. Para fazer o exame, além de ter sintomas, era preciso ter tido contato com uma pessoa contaminada ou viajado para uma região de alto risco.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) vem orientando governos do mundo todo a adotarem medidas rigorosas de distanciamento social e a identificaram e isolarem casos de Covid-19 com urgência. Mas na metade de fevereiro, o país mais rico do mundo estava testando apenas cerca de 100 pessoas por dia, de acordo com a contagem do Centers for Disease Control and Prevention (CDC).

Apenas em março, as autoridades federais alteraram o sistema de testes permitindo a multiplicação dos pontos de testes nos estados e aprovando exames que trazem resultados mais rápidos. Os números, de testes e de doentes, cresceram de forma veloz. No final do mês, cerca de um 1 milhão de testes haviam sido realizados, 186 mil deles só em Nova York, o estado que mais testa pacientes, de acordo com os dados do COVID Tracking Project.

Os drive-through de testes para o coronavírus apareceram, como o criado pela Somos, uma rede americana de médicos privados, no estacionamento de um casino no bairro do Queens, na cidade de Nova York. Cerca de 200 pessoas estão sendo testadas por dia no local.

Desde a identificação do primeiro caso de covid-19 em Nova York, em 30 dias, mais de 66 mil infecções foram confirmadas. Com os testes, o estado pode ter uma ideia mais apurada do avanço da pandemia e lançar uma estratégia de contenção, que envolve uma complexa e emergencial mobilização de verba, ampliação da capacidade de hospitais, aquisição de equipamentos e mobilização de profissionais.