Equador: governo demite servidor que pedia dinheiro para liberar corpos

Segundo o ministro da Saúde do Equador, membro da pasta tirava proveito da crise sanitária no país para lucrar

Da CNN
08 de abril de 2020 às 08:28 | Atualizado 08 de abril de 2020 às 08:31
Com o volume crescente de mortes relacionadas ao novo coronavírus, o Equador tem dificuldades para coletar os cadáveres das vítimas
Foto: Reprodução/ Reuters

O ministro da Saúde do Equador, Juan Carlos Zevallos, comunicou a decisão de demitir um funcionário da pasta, suspeito de ter solicitado dinheiro a famílias de mortos na cidade de Guayaquil, em troca da liberação dos corpos, em meio à crise sanitária que assola o país durante a pandemia.

No comunicado divulgado nessa terça-feira (7), Zevallos não revelou o cargo ou o nome do funcionário em questão. Segundo o ministro, o “mau elemento” estava tirando proveito da crise em um centro hospitalar, cujo nome também não foi revelado.

Em um tom irritado, Zevallos disse que parece “inconcebível” que, em plena crise, um funcionário do Ministério da Saúde tenha recorrido a uma coisa dessas para lucrar com a dor das famílias.

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“É vergonhoso, ultrajante e intolerável”, ressaltou o ministro. Ele explicou que o funcionário já foi denunciado e espera que a Justiça aja para que o ato não fique impune.

Crise funerária

Com o volume crescente de mortes relacionadas ao novo coronavírus, o Equador teve, nos últimos dias, dificuldades para coletar os cadáveres das vítimas, e algumas famílias relataram que ficaram com corpos de parentes, em casa. por vários dias.

Moradores de Guayaquil afirmam que, por causa de rigorosas medidas de quarentena destinadas a impedir a propagação da doença, incluindo um toque de recolher, não têm como enterrar seus parentes de forma prática e digna.

A crise levou a prefeitura de Guayaquil a distribuir caixões de papelão diante da escassez dos de madeira no país.