Governador de NY diz que não diminuirá restrições mesmo se Trump ordenar

Andrew Cuomo diz que rejeitará eventual ordem do presidente para diminuir isolamento se considerar que colocará a saúde pública em risco

Adrienne Vogt, da CNN
14 de abril de 2020 às 11:51 | Atualizado 14 de abril de 2020 às 12:57
Andrew Cuomo (D) disse que rejeitará ordem de Donald Trump para reduzir isolamento se isso colocar NY em risco
Foto: AP-Getty Images

O governador de Nova York, Andrew Cuomo, afirmou nesta terça-feira (14) que não seguirá uma possível ordem do presidente Donald Trump para diminuir as restrições no estado em vigor atualmente em razão do novo coronavírus se considerar que isso colocará a saúde pública em risco.

“Se ele ordenar que eu reabra (o estado) de uma forma que poria em risco a saúde pública das pessoas do meu estado, eu não obedeceria”, disse Cuomo. “Essa seria a pior coisa possível que ele poderia fazer neste momento – agir ditatorialmente e de maneira partidária e divisiva.”

Na segunda-feira (13), Trump disse durante entrevista na Casa Branca sobre a situação da COVID-19 que “[como presidente] tem autoridade total sobre os estados” – uma afirmação que não é verdadeira, segundo a divisão de responsabilidades entre união e estados nos EUA.

“Não temos um rei Trump. Temos o presidente Trump... Então o presidente nem deveria pensar em agir dessa forma. Isso causaria divisão, [seria motivado por] política, e seria totalmente contrário a tudo o que tentamos fazer trabalhando de forma cooperativa”, disse o governador à CNN.

Cuomo afirmou ainda que a afirmação de Trump foi um recuo em relação ao que havia dito antes: deixar a decisão de impor restrição de movimentação aos estados – assim como permitir que eles busquem equipamentos para hospitais.

“Este é um [mudança de] 180 [graus]... então, não faz sentido. É esquizofrênico”, disse o governador. "Primeiro ele deu um passo atrás e disse que caberia aos estados. Agora, quer dar um passo à frente e tentar passar por cima dos estados, o que francamente eu acho mais partidário, mais divisivo e mais perigoso.”

Cuomo reiterou seu apelo para manter as decisões sobre a pandemia de coronavírus sejam tomadas sem partidarismo.

“Eu sei que este é um ano político. Eu sei que é um ambiente hiperpartidário. Eu sei que é vermelho [republicanos] versus azul [democratas]. Não mais. Não quando se trata disso [novo coronavírus]. Neste caso, é vermelho, branco e azul. Tenho 10 mil mortes em meu estado", disse Cuomo. "Esse vírus não matou democratas ou republicanos. Ele matou americanos.”