Após Trump suspender financiamento, ONU pede apoio à OMS durante pandemia


Da CNN, em São Paulo
15 de abril de 2020 às 00:28 | Atualizado 15 de abril de 2020 às 05:23
O secretário-geral da Organização das Nações Unidas, Antonio Gutérres

O secretário-geral da Organização das Nações Unidas, Antonio Gutérres

Foto: Mark Gurten/ONU

O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Antonio Gutérres, defendeu nesta terça-feira (15) que é "absolutamente essencial" que a Organização Mundial da Saúde (OMS) seja apoiada durante a atual crise decorrente da pandemia do novo coronavírus.

A fala de Gutérres foi feita após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar que seu país vai suspender o financiamento que repassa anualmente à OMS e que corresponde à cerca de um quinto do orçamento total da entidade.

"Eu acredito que a Organização Mundial da Saúde deve ser apoiada, já que isso é absolutamente essencial para os esforços mundiais para vencer a guerra contra a COVID-19", afirmou Gutérres em comunicado.

Donald Trump acusa a OMS de ter sido leniente com a China durante os estágios iniciais da pandemia, deixando de cumprir a sua tarefa de informar ao mundo a real dimensão da crise. Como exemplo, ele citou uma crítica da OMS à posição americana de restringir viagens oriundas da China durante esta primeira fase. 

Em sua manifestação, o secretário-geral das Nações Unidas defende que a humanidade "aprenda lições" com o novo coronavírus para saber melhor como enfrentar desafios similares no futuro. "Mas esse não é o momento", afirmou.

"Passo perigoso"

Maior associação profissional de médicos dos Estados Unidos, a American Medical Association (AMA) classificou o anúncio do presidente Donald Trump como um " passo perigoso"

"Em meio a maior crise de saúde pública em um século, suspender o financiamento da Organização Mundial da Saúde é um passo perigoso em uma direção errado, que não tornará a derrota da COVID-19 mais fácil", afirmou a presidente da AMA, Patrice Harris.

"A AMA está profundamente preocupada com essa decisão e seus desdobramentos de longo alcance e nós fortemente pedimos ao presidente que reconsidere", completa Harris.

Maior número de mortes

Esta terça-feira (14) foi marcada por ter sido o dia com o maior número de mortes nos Estados Unidos. Segundo a Universidade Johns Hopkins, foram confirmadas 2.129 novas mortes no país. Com isso, os EUA agora tem mais de 25 mil vítimas fatais da COVID-19.

O número supera o registrado no último dia 10, quando 2.074 morreram em decorrência do novo coronavírus. De acordo com o monitoramento da Johns Hopkins, há 605 mil casos de COVID-19, a maior incidência em todo o mundo.