Ortega reaparece após um mês e diz que Nicarágua 'não vai parar' por COVID-19

Presidente, que se ausentava da vida pública desde março, diz que país tem apenas um morto pela doença e que hospitais têm condições de atender a infectados

Da CNN, em São Paulo*
16 de abril de 2020 às 02:52
Daniel Ortega, presidente da Nicarágua
Foto: Reprodução Twitter

Após mais de um mês ausente da vida pública e sem aparições, o presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, realizou pronunciamento ao vivo em rede nacional nesta quarta-feira (15). A falta de notícias sobre seu paradeiro desde o início de março levantou questões sobre sua saúde enquanto o mundo debate o novo coronavírus — que ele nega ser um problema no país.

Ortega, um ex-guerrilheiro de 74 anos com doenças crônicas, não deu explicação para sua ausência de 33 dias, mas disse que o país da América Central está lidando com o surto de coronavírus de forma responsável.

"Não vamos parar de trabalhar, porque se as pessoas não trabalham, elas morrem", disse Ortega. "Somos um país de trabalhadores, pessoas que não morrerão de fome".

A saúde do presidente tem sido um segredo bem guardado e sua ausência na vida pública levou a especulações sobre o assunto.

Ao longo dos anos, Ortega sofreu dois ataques cardíacos e desenvolveu colesterol alto e outras doenças.. Desde então, o presidente tem sido cada vez mais reguardado.

Agora, em sua segunda passagem como presidente, depois de orquestrar uma mudança constitucional para permitir a reeleição, o político disse que a Nicarágua tem um baixo número de infecções por coronavírus, registrando apenas nove casos e uma morte.

"Temos a capacidade de atender pacientes com coronavírus", disse no pronunciamento. 

Especialistas em saúde pública questionaram a precisão dos números oficiais e instaram o governo a relatar quantas pessoas foram testadas para o coronavírus.

A Nicarágua é um dos poucos países que não possui medidas de distanciamento social, não proíbe reuniões em massa e não cancelou aulas de escolas e universidades, conforme recomendado pela Organização Mundial da Saúde. 

* Com Reuters