Ex-advogado de Trump vai sair da prisão antes do previsto por causa da pandemia

Michael Cohen cumpre pena de três anos em penitenciária onde 14 presos testaram positivo para a doença

Kara Scannell, da CNN
17 de abril de 2020 às 08:40
Michael Cohen, ex-advogado pessoal de Donald Trump
Foto: Andrew Harrer - fev.2019/ Bloomberg/ Getty Images

O Departamento Federal de Prisões dos Estados Unidos informou Michael Cohen, ex-advogado pessoal do presidente Donald Trump, que ele deixará a prisão, antes do previsto, em razão da pandemia do novo coronavírus, segundo o advogado dele.se Cohen se declarou culpado de fraude fiscal, violações de financiamento de campanha e mentir para o Congresso.

Cohen cumpre pena de três anos em regime fechado na penitenciária federal de Otisville, em Nova York, onde 14 presos e 7 funcionários testaram positivo para a COVID-19.

Ele deveria deixar a prisão somente em novembro de 2021, mas recebeu permissão para terminar de cumprir a pena em regime domiciliar. O ex-advogado de Trump terá que ficar 14 dias em quarentena na penitenciária antes de ser liberado.

Cohen recebeu a notícia nessa quinta-feira (16), informação confirmada à CNN pelo advogado dele, Roger Adler.

O Departamento de Prisões, pressionado pela forma com que tem lidado com a presença do vírus nas instalações, vem reduzindo a população prisional do país ao libertar alguns presos não violentos e medicamente vulneráveis ou determinar que eles cumpram pena em regime domiciliar por causa da pandemia. 

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Porta-vozes do departamento e da Procuradoria dos EUA em Manhattan, que processou Cohen, não quiseram comentar o assunto.

A decisão sobre Cohen surge depois que um juiz federal rejeitou, em março, o pedido dele para cumprir pena em casa. Na ocasião, o ex-advogado de Trump acusou o Departamento de Justiça norte-americano de não o tratar o caso de forma justa e, mais tarde, expressou suas preocupações com relação ao vírus.

Relação entre Cohen e Trump

Em 2018, Cohen ao se declarar culpado de fraude fiscal, violações de financiamento de campanha e mentir para o Congresso, ele admitiu que ajudou a facilitar os pagamentos em dinheiro a duas mulheres que afirmaram ter tido um caso amoroso com Trump no passado. O presidente negou.

Ao se declarar culpado, Cohen implicou Trump nos crimes, dizendo a um juiz federal que ele tinha feito os pagamentos “em coordenação e sob a direção” do magnata.

Cohen atuou como uma espécie de substituto vocal de Trump durante a campanha presidencial de 2016, muitas vezes brigando com repórteres e aparecendo na televisão para apoiar seu antigo cliente. Agora, em meio a uma campanha para ser reeleito, Trump enfrenta o maior desafio de sua gestão: lidar com a pandemia do novo coronavírus.

De acordo com o sistema virtual de rastreamento do Departamento de Prisões dos EUA, 473 presos e 279 funcionários testaram positivo para a doença, sendo que 18 presos morreram. Até o momento, 1.198 presos já foram colocados em regime domiciliar. Há mais de 143 mil presos nas penitenciárias federais dos EUA.

Michael Avenatti terá licença temporária

Cohen não é o único condenado conhecido que deixará a prisão por causa do surto de COVID-19. Michael Avenatti, advogado que representou Stormy Daniels - uma das mulheres que Cohen pagou para silenciar as alegações sobre um caso com Trump - conseguiu uma licença temporária de 90 dias, após passar um tempo em quarentena.

Avenatti cumpre pena no Centro de Correções Metropolitano em Manhattan desde que o juiz revogou sua fiança, no início deste ano.

Ele aguarda sentença após ser declarado culpado por tentar extorquir mais de US$ 20 milhões da companhia Nike. Avenatti também enfrenta outros dois julgamentos criminais, incluindo um no qual é acusado de roubar mais de US$ 300 mil de Daniels. Avenatti se declarou inocente das acusações.

Ele ficará na casa de um amigo na Califórnia, onde não terá permissão para usar a internet, e terá que se apresentar às autoridades depois da licença de 90 dias.