População de Wuhan teme que testagem para COVID-19 possa gerar novas infecções

Autoridades da cidade iniciaram campanha para testar população depois que novos casos foram confirmados na região; lockdown foi retirado no início de abril

Brenda Goh, da Reuters
16 de maio de 2020 às 04:28
Moradores fazem fila para serem testados em Wuhan, na China
Foto: REUTERS/Aly Song (15.maio.20)

Wuhan, a cidade chinesa onde a pandemia do COVID-19 começou, deu início a uma campanha massiva de testagem nos moradores. Enquanto isso, quem lotava os centros de testes neste sábado (16), demonstrou preocupação com a possibilidade de que o próprio ato de fazer o exame poderia expor a população à doença.

Nas discussões em redes sociais entre os 11 milhões de habitantes de Wuhan, segurança se tornou um tema importante. Apesar do receio, muitos apoiam a testagem da população.

As autoridades de saúde de Wuhan deram início à campanha depois da confirmação de novos casos assintomáticos na cidade, no último final de semana. Foram as primeiras confirmações de COVID-19 na região depois que o bloqueio total foi retirado, e 8 de abril.

As novas infecções fizeram com que as autoridades iniciassem uma busca para encontrar portadores do vírus e poder avaliar o nível de risco de novas contaminações por COVID-19.

"Algumas pessoas demonstraram preocupação nos grupos (de redes sociais) sobre os testes, que exigem que a população se agrupe e se isso pode oferecer algum risco de infecção", disse um morador de Wuhan, que pediu para não ser identificado. "Mas outros refutaram essas preocupações, dizendo que esses comentários não apoiam o governo."

Especialistas afirmam que a quantidade de testes realizados revela o nível de preocupação das autoridades da cidade. Outros, no entanto, questionam a eficácia da medida e apontam para o alto custo dos exames.

No distrito de Jianghan, no centro da cidade, um voluntário patrulhava e pulverizava desinfetante em uma longa fila de quem aguardava para ser testado. Muitos observavam o distanciamento social, seguindo as orientaçõs das placas no local. No entanto, nem todos seguiam as regras e os voluntários não insistiam para que fossem cumpridas.

Em um quiosque de testes ao ar livre, aglomerações também foram observadas. No local, cerca de 40 pessoas se agrupavam sem orientação de funcionários do governo ou voluntários. Segundo os moradores, as autoridades da cidade não disseram quando os resultados dos testes serão disponibilizados.

Na sexta-feira, a China confirmou 82.941 casos e 4.633 mortes de COVID-19. O governo não inclui, na contagem, pessoas consideradas portadoras assintomáticas do vírus e não publica um número cumulativo de casos assintomáticos.