Parlamento de Israel aprova governo de coalizão de Netanyahu e Gantz

Depois de mais de um ano de impasse político, legisladores aprovam acordo com 73 votos favoráveis e 46 contrários; os dois se alternarão no cargo em 18 meses

Reuters
17 de maio de 2020 às 16:08
Benjamin Netanyahu discursa no Parlamento de Israel; legisladores aprovaram governo de coalizão
Foto: Reuters

O parlamento de Israel aprovou neste domingo (17) o novo governo de coalizão do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, encerrando mais de um ano de impasse político – na próxima semana, no entanto, ele começa a enfrentar um julgamento por suposta corrupção.

Após três eleições inconclusivas, o conservador Netanyahu permanecerá primeiro-ministro por 18 meses antes de entregar o cargo para seu ex-rival e novo parceiro, Benny Gantz.

Gantz, ex-chefe das Forças Armadas, será ministro da Defesa de Netanyahu e "primeiro-ministro alternativo", uma posição que Netanyahu ocupará quando o aliado assumir o comando.

Com o cargo de premiê alternativo, Netanyahu espera evitar sua renúncia apoiado em leis que permitem que um primeiro-ministro permaneça no cargo, mesmo se acusado de um crime.

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Líder mais longevo de Israel, Netanyahu, de 70 anos, chegou ao poder pela primeira vez em 1996 e cumpriu três mandatos consecutivos desde 2009. Ele será julgado em 24 de maio por acusações de suborno, quebra de confiança e fraude.

"O povo queria unidade e é isso que conseguiu", disse Netanyahu ao Parlamento, citando o desejo de evitar uma quarta eleição durante os esforços do país contra a crise do novo coronavírus.

Os legisladores ratificaram o novo governo com 73 votos favoráveis e 46 contrários. O novo gabinete terá um recorde de 36 ministros. Vários novos posts foram criados para garantir que Netanyahu e Gantz possam trazer aliados para o governo.

A questão da Cisjordânia

Agora Netanyahu pode avançar com seu plano de estender a soberania israelense aos assentamentos judaicos e ao vale do Jordão, na Cisjordânia ocupada, território que os palestinos reivindicam para seu estado independente.

"Essas regiões são onde a nação judaica nasceu e se levantou. É hora de aplicar a lei israelense sobre elas e escrever outro grande capítulo nos anais do sionismo", disse o premiê.

Mas enquanto Netanyahu definiu o 1º de julho como ponto de partida para discussões sobre essa questão altamente controversa, não há um prazo público para anexar as terras que Israel capturou na Guerra dos Seis Dias, em 1967.

Os palestinos se opõem veementemente a esse movimento e pedem sanções internacionais contra Israel. Certamente essa questão aumentará tensões na Cisjordânia e na Faixa de Gaza.

"Essas posições coloniais e expansionistas confirmam mais uma vez a inimizade ideológica (de Netanyahu) em relação à paz", afirmou o Ministério das Relações Exteriores palestino em comunicado.