EUA avisaram Itamaraty com antecedência sobre veto à entrada de brasileiros

Diplomacia brasileira encarou decisão do governo Trump com naturalidade em razão do agravamento da pandemia da Covid-19

André Spigariol Da CNN, em Brasília
24 de maio de 2020 às 19:29 | Atualizado 24 de maio de 2020 às 19:30
Decisão do governo Trump impede a entrada de estrangeiros vindos do Brasil nos aeroportos americanos
Foto: REUTERS/Joshua Roberts

Os Estados Unidos avisaram com antecedência o governo brasileiro sobre a decisão do presidente Donald Trump de barrar a entrada de estrangeiros vindos do Brasil, anunciada neste domingo (24). A decisão foi tomada em coordenação com a diplomacia brasileira, que a encarou com naturalidade, tendo em vista o agravamento da pandemia da Covid-19 no país.

Nos bastidores, diplomatas minimizam a politização da medida, uma vez que o próprio Brasil já havia tomado a decisão de fechar suas fronteiras para a entrada de estrangeiros há dois meses. Por outro lado, a cooperação com os Estados Unidos para a superação da doença é vista como um grande triunfo do governo de Jair Bolsonaro. Neste domingo, o chanceler Ernesto Araújo anunciou que o país receberá uma doação de mil respiradores mecânicos de Washington. Ao todo, os americanos já doaram R$ 37 milhões a Brasília para combate à doença.

Leia e assista também

Trump restringe entrada para quem esteve no Brasil

Ex-chefe de saúde de Obama diz que Brasil representa risco aos EUA

“Era surpreendente que os americanos ainda estavam com fronteiras abertas para a entrada de brasileiros, sendo que nós já estamos com as nossas fechadas desde o final de março”, comentou à CNN um integrante do governo brasileiro, que pediu para não ser identificado. “Essa não foi uma decisão política, mas foi uma medida tomada pelas autoridades de saúde. Houve coordenação com o Brasil”, destaca.

A proibição de entrada de estrangeiros não significa imediatamente a suspensão de voos entre os dois países. Essa decisão caberá às companhias aéreas, que agora terão de fazer as contas para avaliar se a operação das linhas continua sendo viável, uma vez que brasileiros nos EUA podem continuar voltando para casa e a decisão da Casa Branca não abrange o transporte de cargas.