Autoridade chinesa diz que protestos em Hong Kong têm 'natureza terrorista'

Xie Feng, comissário do Ministério das Relações Exteriores da China em Hong Kong, apontou 'perigo iminente' à segurança nacional da China após novos atos

Da CNN, em São Paulo*
25 de maio de 2020 às 04:33 | Atualizado 25 de maio de 2020 às 04:39
Policial atira com bala de borracha contra manifestantes em Hong Kong, durante protesto em 2019
Foto: Thomas Peter -14.ago.2019/Reuters

Um representante do Ministério das Relações Exteriores da China em Hong Kong disse, nesta segunda-feira (25), que alguns protestos pró-democracia realizados na cidade têm "natureza terrorista", representando "perigo iminente" à segurança nacional da China.

Xie Feng, comissário do Ministério das Relações Exteriores da China em Hong Kong, fez suas observações durante um discurso sobre a proposta de legislação de segurança nacional em Hong Kong. 

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Retorno dos protestos


Interrompidos com o pico da pandemia do novo coronavírus, os protestos que marcaram o ano de 2019 em Hong Kong voltaram a ocorrer neste domingo (24). Mesmo com restrições a aglomerações ainda vigorando, milhares de pessoas foram às ruas para protestar contra o plano do governo chinês de impor novas leis de segurança na cidade.

Havia forte presença policial à frente do escritório de representação da China no local. As autoridades utilizaram gás de pimenta e lacrimogêneo para dispersar os protestantes.

A manifestação surgiu em meio a esforços do governo local para acalmar a população e investidores internacionais. Os protestantes se reuniram no agitado distrito comercial de Causeway Bay, onde a polícia revistou transeuntes. Também alertaram que as pessoas não deveriam desrespeitar a determinação de não aglomeração imposta para barrar o avanço do coronavírus.

“É o começo do fim e o tempo está acabando em Hong Kong. Essa é a razão para nós, mesmo durante a pandemia da Covid-19, nos juntarmos para protestar”, afirmou o ativista pela democracia Joshua Wong.

Ameças à autonomia

Ao pensar na nova legislação, que pode culminar na implementação de agências de inteligência do governo chinês no centro financeiro, Pequim planeja passar por cima do Conselho Legislativo de Hong Kong.

O plano despertou preocupações sobre o futuro da fórmula “um país, dois sistemas” que governa Hong Kong desde que a antiga colônia inglesa voltou para o domínio da China em 1997. O acordo garante liberdades para a cidade que não existem na China continental, incluindo imprensa livre e poder judiciário independente.

Autoridades de Pequim e Hong Kong afirmam que as leis propostas são necessárias e que não devem prejudicar a autonomia da cidade. “Estas reivindicações radicais e a violência ilegal são extremamente preocupantes”, disse o Secretário Chefe de Administração da ilha, Matthew Cheung, em relação à repercussão negativa que a proposta de lei teve na cidade e aos protestos antigoverno que se arrastaram por meses.

* Com Reuters