Nos EUA, quase metade dos estados registram altas em casos diários de Covid-19

Na Flórida, novos registros diários aumentaram em média 46% na semana passada, no mesmo período da segunda fase de uma reabertura do comércio

Christina Maxouris e Holly Yan, da CNN
09 de junho de 2020 às 04:29 | Atualizado 09 de junho de 2020 às 04:31
Casos de coronavírus apresentam tendência de alta em 22 dos 50 estados americanos
Foto: Michael Ciaglo/Getty Images

Enquanto governos flexibilizam as restrições de isolamento e mais americanos saem às ruas para socializar ou protestar, quase metade dos estados dos EUA registram tendência de alta em casos de Covid-19.

Mais de 1,9 milhão de americanos foram infectados e mais de 110 mil morreram em pouco mais de quatro meses de casos da doença, segundo dados da Universidade Johns Hopkins.

Em todo o país, 22 estados estão vendo tendências ascendentes nos casos de coronavírus. Cerca de 20 outros estados tiveram redução na média de casos nos últimos dias, e oito deles apresentam números estáveis.

Um dos estados com os maiores picos em novos casos é a Flórida. O número de novos registros diários aumentou em média 46% na semana passada, no mesmo período em que a maior parte do estado entrou em uma segunda fase de reabertura.

Há provas globais de que a pandemia de coronavírus está longe de terminar. O domingo marcou o maior número de casos Covid-19 relatados à Organização Mundial da Saúde em um único dia durante apandemia, disse o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus.

"No domingo, mais de 136.000 casos foram relatados - o máximo em um único dia até agora", disse Tedros na segunda-feira. "Quase 75% dos casos de ontem vêm de 10 países, principalmente nas Américas e no sul da Ásia".

 

Fechamentos evitaram quadro pior


Cerca de 60 milhões de infecções por coronavírus nos EUA provavelmente foram evitadas até o início de abril, graças a medidas de isolamento tomadas por governantes, disseram pesquisadores da Universidade da Califórnia, Berkeley.

"As descobertas acontecem quando os líderes mundiais lutam para equilibrar os enormes e altamente visíveis custos econômicos das medidas emergenciais contra seus benefícios à saúde pública, que são difíceis de ver", disse UC Berkeley.

Esses pedidos de emergência incluíam fechamento de empresas e escolas, restrições de viagens e pedidos para que a popuação não saísse de casa.

"O estudo não estimou quantas vidas poderiam ter sido salvas pelas políticas porque, com tantas infecções, as taxas de mortalidade seriam muito maiores do que qualquer coisa observada até o momento", disse UC Berkeley.

 

Risco de contágio em protestos


Enquanto manifestantes lotam as ruas para exigir o fim do racismo sistêmico e da brutalidade policial, as autoridades de saúde enfatizam a necessidade de se tomar precauções.

O novo coronavírus é transmissível falando ou apenas respirando. Os portadores do vírus podem ser contagiosos, mesmo que não apresentem sintomas.

Portanto, médicos afirmam que é extremamente importante usar uma máscara facial e tentar manter a maior distância possível dos outros.

Os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA (CDC) disseram no domingo que estão monitorando de perto os protestos.

O diretor do CDC, Dr. Robert Redfield, declarou no início deste mês que os manifestantes deveriam ser avaliados e testados para o vírus.

"Acho que existe um potencial, infelizmente, para que este seja um evento de disseminação, especialmente em áreas metropolitanas onde houve transmissão significativa", disse Redfield.