Arqueólogo espanhol é condenado à prisão por falsificar descobertas

Eliseo Gil recebeu a pena de prisão e foi multado por ter 'manipulado' escritos considerados históricos na época

Por Max Ramsay e Amy Woodyatt, da CNN
13 de junho de 2020 às 05:30
Gil e sua equipe alegaram ter encontrado os artefatos no sítio arqueológico romano Iruña-Veleia, perto da cidade de Vitoria-Gasteiz, no País Basco, Espanha.
Foto: Philippe ROY/Gamma-Rapho/Getty Images

Um arqueólogo espanhol foi condenado a mais de dois anos de prisão e multado em 12.490 euros por falsificar algumas de suas descobertas mais famosas. Eliseo Gil, ex-diretor de escavações do sítio arqueológico romano Iruña-Veleia, recebeu a pena de prisão e foi multado por ter “manipulado” escritos considerados históricos na época, por ele ou “por terceiros”, de acordo com documentos de sentença vistos pela CNN.

Em 2005 e 2006, Gil anunciou que sua equipe havia encontrado pedaços de barro no local, perto da cidade de Vitória-Gasteiz, no País Basco, norte da Espanha. Segundo ele, os artefatos seriam do século 3 d.C. e continham referências hieroglíficas egípcias, representações da crucificação e sinais da língua basca, como informou o jornal espanhol El País.

Na época, a descoberta era considerada revolucionária, pois se pensava que ela mostrava o primeiro exemplo escrito da língua basca, 800 anos antes dos exemplos anteriores. No entanto, dois anos depois, um comitê multidisciplinar de especialistas em linguística, história antiga, arqueologia, química e filologia considerou a descoberta uma farsa, como informou a agência de notícias Reuters.

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Especialistas que estudaram as peças encontraram inconsistências como ausência de sintaxe, grafias modernas de palavras e nomes e frases incompatíveis com o período alegado pelo pesquisador.

Segundo o El Pais, especialistas em filologia e história antiga questionaram o aparecimento de palavras latinas com características mais modernas, como o uso da letra “J” em “Júpiter” no lugar da grafia latina “Iupiter” ou o nome “Octavian Augustus” para se referir ao imperador Augusto.

No início, Gil e sua equipe defenderam suas descobertas controversas pela “grande agitação” que estavam causando. 

Em uma declaração que estava no site do grupo de pesquisadores (que depois saiu do ar), Gil e sua equipe defenderam que as descobertas eram “um conjunto volumoso de inscrições – gravadas em várias mídias – de caráter excepcional pelos textos e temas representados".

Em fevereiro, Gil manteve sua inocência em declarações feitas à imprensa.

Na quarta-feira, o chefe de um tribunal em Vitória-Gasteiz considerou Gil culpado de falsificação e fraude, condenando-o a dois anos, três meses e 23 dias de prisão.

(Texto traduzido. Clique aqui para ler o original).