Botsuana investiga mortes de 154 elefantes e descarta caça ilegal

Os animais são vistos como um incômodo crescente para os agricultores

Brian Benza, Giles Elgood e Tim Cocks da Reuters
15 de junho de 2020 às 09:53

Botsuana investiga 154 mortes de elefantes no país.

Foto: Craig Morrison/Shutterstock

Botsuana, país localizado na África Austral, está investigando as misteriosas mortes de pelo menos 154 elefantes ao longo de dois meses no noroeste do território nacional, informaram autoridades ambientais nesta segunda-feira (15). As carcaças foram encontradas intactas. A caça ilegal e hipótestes de envenenamento foram descartadas.

"Ainda estamos aguardando resultados sobre a causa exata da morte", disse o coordenador regional de vida selvagem, Dimakatso Ntshebe.

Outras investigações também descartaram intoxicação por seres humanos ou por antrax [doença infecciosa aguda causada por bactérias], que às vezes atinge a vida selvagem nesta parte da Botsuana.

A população geral de elefantes na África está diminuindo devido à caça ilegal, mas Botsuana, lar de quase um terço dos elefantes do continente, viu o número crescer de 80 mil para 130 mil no final dos anos 90, devido a reservas bem administradas.

No entanto, eles são vistos como um incômodo crescente para agricultores, cujas colheitas foram destruídas por elefantes que vagam pelo país.

No ano passado, o presidente, Mokgweetsi Masisi, suspendeu a proibição de cinco anos de caça, imposta pelo gestor anterior, Ian Khama. Mas a temporada de caça não começou em abril, porque as restrições globais de viagens fizeram com que caçadores de muitos países atingidos pelo novo coronavírus não pudessem entrar na Botsuana.

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Enquanto isso, o Departamento de Vida Selvagem empreendeu uma operação para realocar e descornar [tirar os chifres, cornos] todos os rinocerontes para combater a caça ilegal na Botsuana – refletindo os esforços em outras partes da região.

A população de rinocerontes do Delta do Okavango foi a mais atingida, com 25 caçados entre dezembro e o início de maio, mostram dados do governo, já que os caçadores ilegas aproveitam a ausência de turistas do safari durante a pandemia.

Isso se compara a um total de 31 rinocerontes caçados de outubro de 2018 a dezembro do ano passado.

"Tanto o rinoceronte branco quanto o rinoceronte preto foram severamente afetados, exigindo a [...] realocação de rinocerontes negros altamente ameaçados (e) intensificação da vigilância", afirmou o Departamento.