Estudo projeta 200 mil mortes pelo novo coronavírus até outubro nos EUA

País já ultrapassa 2 milhões de casos de Covid-19

Madeline Holcombe, da CNN
16 de junho de 2020 às 12:12
O presidente dos EUA, Donald Trump, em frente a painel que diz 'Reabrindo a América'.
Foto: Carlos Barria/Reuters (27.abr.2020)

Situação dos estados

Os Estados Unidos podem ter mais de 200 mil mortes por Covid-19 até 1º de outubro, indica estudo divulgado na segunda-feira (15) enquanto os estados norte-americanos continuam a flexibilizar a quarentena.
 
Mais de 2 milhões foram infectados pelo novo coronavírus e 116.125 morreram nos EUA, segundo dados da Universidade Johns Hopkins. Embora muitos estados estejam em melhores condições, a pandemia ainda não chegou ao seu fim. A projeção foi realizada enquanto 18 estados ainda taxa ascendente de novos casos.
 
"O aumento da mobilidade e o relaxamento prematuro do distanciamento social levaram a mais infecções, assim como vemos na Flórida, Arizona e em outros estados", disse Ali Mokdad, um dos criadores do modelo do Institute for Health Metrics and Evaluation (IHME) na Universidade de Washington.
 
"Isso significa mais mortes projetadas".
 
Embora as taxas de mortalidade diária devam cair entre junho e julho, o modelo do estudo prevê um segundo aumento nas mortes até setembro, culminando em um número aproximado de 201.129 em 1º de outubro.
 
Projeções como a do IHME, bem como métricas sobre infecções e hospitalizações, são importantes quando os estados decidem como proceder. Observando as taxas de infecção atualmente, o médico Anthony Fauci disse ao jornal britânico The Telegraph que provavelmente levará meses para que a vida volte ao normal.
 

 
Dezoito estados com tendência de alta nos casos relatados de uma semana para a seguinte: Califórnia, Oregon, Nevada, Arizona, Montana, Wyoming, Texas, Oklahoma, Arkansas, Louisiana, Mississippi, Alabama, Geórgia, Flórida, Carolina do Sul, Carolina do Norte, Alasca e Havaí.


Dez estados estão vendo um número constante de casos relatados recentemente: Washington, Utah, Dakota do Sul, Kansas, Iowa, Tennessee, Ohio, Virgínia Ocidental, Maine e Rhode Island.


Os 22 estados com tendência de queda são: Idaho, Colorado, Novo México, Nebraska, Dakota do Norte, Minnesota, Missouri, Wisconsin, Michigan, Illinois, Indiana, Kentucky, Virgínia, Pensilvânia, Maryland, Nova Jersey, Nova York, Connecticut, Massachusetts, Vermont , New Hampshire e Delaware.

Estados decidem se continuarão a reabrir à medida que o vírus se espalhar


Quem está ficando doente

Aprendendo mais sobre o vírus


Alguns estados que estão vendo casos crescentes do novo coronavírus podem ter que decidir se continuarão reabrindo conforme planejado.
 
Embora o Arkansas tenha registrado 731 novos casos — seu maior pico desde o início da pandemia - o estado ainda passará para a fase dois de reabertura, de acordo com o governador, Asa Hutchinson.
 
"Não podemos ter a vida suspensa por seis meses a um ano até que haja uma vacinação", disse Hutchinson. "Temos que poder continuar com a vida e os negócios".
 
Os próximos passos da Carolina do Norte ainda não estão claros, pois o estado vê taxas positivas de exames e hospitalizações. O governador, Roy Cooper, disse a repórteres na segunda-feira (15) que anunciaria no início da próxima semana se o estado ainda abrirá na fase três no final deste mês.
 
A cidade de Austin, Texas, já tomou medidas, estendendo os pedidos de isolamento social até 15 de agosto, escreveu no Twitter o prefeito Steve Adler, na segunda-feira (15).
 
Houve um aumento nos casos do novo coronavírus na cidade, disse Adler. Enquanto isso, o Texas registrou um recorde de 2.326 hospitalizações devido ao novo coronavírus na segunda-feira (15).
 
Nova Jersey está entre os estados com a menor tendência em novos casos no país, mas o governador Phil Murphy disse que isso não equivale a autorização para descartar precauções.
 
"Não vamos abrir nossas portas de uma só vez, como fizeram outros estados", disse Murphy. "Já pagamos um preço enorme e quase incomensurável".
 

 
Um novo relatório dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA lança projeções sobre o colapso demográfico de quem está ficando doente com o vírus no país e como eles se saíram.
 
Dos 1.761.503 casos do novo coronavírus entre 22 de janeiro e 30 de maio, 14% foram hospitalizados, 2% foram admitidos na unidade de terapia intensiva e 5% morreram.
 
Os números mais recentes confirmam que idosos, minorias e pessoas com condições de saúde preexistentes correm maior risco de morte.
 
Globalmente, cerca de uma em cada cinco pessoas tem uma condição de saúde subjacente que as coloca em risco aumentado de ficar gravemente doente com o novo coronavírus, de acordo com um estudo publicado na revista Lancet Global Health, na última segunda-feira (15).
 
Muitos deles podem ter condições que não foram diagnosticadas ou não são conhecidas pelo sistema de saúde, escreveram os pesquisadores de instituições de todo o mundo, incluindo Reino Unido, Estados Unidos e China.
 

 
Os profissionais de saúde esperam proteger as pessoas do vírus, aprendendo mais sobre ele. Os Institutos Nacionais de Saúde lançaram um banco de dados nacional para coletar informações médicas sobre pacientes com o novo coronavírus nos EUA.
 
"Este esforço visa transformar informações clínicas em conhecimento necessário e urgente para estudar a Covid-19, incluindo fatores de risco à saúde que indicam melhores ou piores resultados da doença, além de identificar tratamentos potencialmente eficazes", disse a agência em comunicado à imprensa nesta segunda-feira (15).
 
Para ajudar a informar o público sobre a exposição ao vírus, a Cruz Vermelha anunciou nesta segunda-feira (15) que estará testando todas as doações de sangue, plasma e plaquetas em busca de anticorpos contra o novo coronavírus.
 
O teste, que foi autorizado pela Food and Drug Administration dos EUA, mostra se o sistema imunológico de uma pessoa produziu anticorpos para combater o vírus.

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Pensava-se que as crianças não tinham tanta probabilidade de ter uma luta difícil com o vírus, mas uma equipe da Northwell Health, um grande sistema de saúde de Nova York, disse que uma condição chamada Síndrome Multiinflamatória em Crianças (MIS-C) pode ser uma resposta atrasada a uma infecção pelo novo coronavírus.
 
"Ficamos muito chocados quando ela começou", disse Charles Schleien à CNN na segunda-feira (15). "A síndrome surgiu do nada. Ficamos confortáveis durante meses (na crença) de que as crianças não foram seriamente afetadas durante todos esses meses pelo novo coronavírus".
 
Andrea Kane da CNN, Naomi Thomas, Janine Mack, Sharif Paget, Raja Razek, Maggie Fox, Shelby Lin Erdman e Hollie Silverman contribuíram para esta reportagem.

(Texto traduzido. Clique aqui para ler o original em inglês).