Químico explica o que é nitrato de amônio: 'é seguro e não explode sozinho'


Da CNN, em São Paulo
05 de agosto de 2020 às 00:53 | Atualizado 05 de agosto de 2020 às 04:46

Um acidente em um armazém que estocava nitrato de amônio é até aqui a hipótese considerada mais provável para explicar a explosão que causou cerca de 80 mortes e deixou centenas de feridos em Beirute, capital do Líbano, nesta terça-feira (4).

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Reinaldo Bazito, professor e doutor do Instituto de Química da Universidade de São Paulo (USP), explicou, ao Agora CNN, o que é o composto.

"O nitrato de amônio é um dos principais fertilizantes utilizados na agricultura. No entanto, ele tem uma característica que pode fazê-lo explodir em determinadas circunstâncias", diz Bazito, que acrescentou que, apesar de segura, a substância já causou outros acidentes e no Brasil é controlada pelo Exército. 

Bazito expôs que o nitrato é um pó branco e cristalino, que dificilmente causa acidentes. "Ele precisa de uma iniciação. É seguro para uso na agricultura, com precauções. Não é como a nitroglicerina, não explode sozinho".

"A grande explosão (em Beirute) aconteceu pela grande quantidade (armazenada de nitrato) em condições que não eram as adequadas. Nesse armazém se fala em 2.700 toneladas (armazenads). Provavelmente nem tudo explodiu simultaneamente", comenta o químico.

"O problema não é a quantidade, é a condição de armazenagem do nitrato", acrescentou.

"Aparentemente havia um armazém de nitrato de amônio no porto. Pelo que dizem as autoridades, estava em uma situação sem controle. Houve um incêndio nesse armazém, que causou uma alta temperatura e causou uma explosão. Percebemos que há uma explosão inicial e pequenas detonações".

"Felizmente o nitrato de amônio não explode sozinho, é difícil causar a detonação".

"É característico, de substâncias que contêm nitrogénio, essa cor na fumaça ocre. Percebemos a onda de choque que se propaga", prossegue o especialista. 

O professor da USP lembrou da utilização do nitrato de amônio no atentado de Oklhaoma, nos EUA, em 2015. Na ocasião, o potencial explosivo da substância foi explorado por um terrorista pela mistura do óleo diesel - que, misturado ao fertilizante inflamável, gerou explosões. 

(Edição de Diego Freire)