'É um sentimento de tristeza e raiva da população', diz brasileira em Beirute

Nadia Mahfouz diz que polícia está usando gás lacrimogêneo para tentar impedir que manifestantes cheguem ao parlamento do país

Da CNN
08 de agosto de 2020 às 12:33 | Atualizado 08 de agosto de 2020 às 15:06
Manifestação acontece neste sábado no Líbano (8.ago.2020)
Foto: CNN Brasil

"O povo libanês tá expressando seu sentimento pelo que aconteceu e pelo que está acontecendo", disse à CNN neste sábado (8) Nadia Mahfouz, uma brasileira que mora no Líbano e que está participando da manifestação popular de protesto ao governo e aos parlamentares do país.

"É um sentimento de tristeza, mas também de muita raiva pelo que está acontecendo no país", disse Mahfouz. "A gente achou que seria uma manifestação civilizada, mas a polícia está causando muita confusão. O Líbano inteiro está aqui, tem gente de todos os cantos do país", afirmou.
A brasileira diz que a polícia está tentando bloquear a passagem dos protestantes até o Parlamento do Líbano, fazendo uso até de bombas de gás lacrimogêneo. "É muito triste ver o que está acontecendo, é uma situação de caos", afirma.

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Segundo Mahfouz, o sentimento predominante da população do Líbano é o de desejo de saída do atual governo, que "não está fazendo nada pela população."

As explosões da última terça-feira (8), que deixaram mais de 150 mortos e mais de 6 mil feridos, acabaram servindo como estopim para a onda de protestos contra a situação do país.

"Nasci no Brasil, mas o Líbano é a minha terra, o meu país", disse Mahfouz à CNN. Segundo ela, é difícil ter uma vida estável no país. "Ou é atentado ou guerra ou explosão", afirmou.

"E os políticos corruptos não deixam o país ir para a frente", reclama a brasileira.

"É uma revolta muita grande e eu espero que tudo o que estamos passando e pelo que estamos lutando sirva para que a gente possa viver uma vida melhor", afirmou. 

Mahfouz diz que ela e sua família não estavam perto do local das explosões na última terça-feira (4) e que tiveram pouco dano material, mas que alguns amigos tiveram a casa destruída.

(Edição: Marcelo Sakate)