Governo do Afeganistão aprova libertação de 400 prisioneiros talibãs

Medida é tomada para avançar em negociações de paz para encerrar quase duas décadas de guerra

Ehsan Popalzai, Sharif Paget e Nectar Gan, da CNN
10 de agosto de 2020 às 03:32 | Atualizado 10 de agosto de 2020 às 03:33
Bandeira do Afeganistão
Foto: Reprodução/ afghanbairaq/ Instagram


O governo do Afeganistão concordou em libertar 400 prisioneiros do Talibã, abrindo caminho para negociações diretas de paz com o grupo insurgente para encerrar quase duas décadas de guerra.

Em assembleia conhecida como Loya Jirga, foi aprovda uma resolução no domingo pedindo a libertação de prisioneiros do Talibã, que o grupo exigiu que fossem libertados como condição para ingressar nas negociações de paz.

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O presidente afegão, Ashraf Ghani, disse que assinaria uma ordem de libertação dos presos quando se dirigiu à Loya Jirga em Cabul no domingo.

"Aprovamos a libertação de 400 prisioneiros do Talibã a fim de remover obstáculos ao início das negociações de paz e parar o derramamento de sangue", disse a assembléia em sua resolução.

Acrescentou que após a libertação dos prisioneiros, "negociações diretas" deveriam ser "iniciadas imediatamente, sem qualquer desculpa".

"A Jirga também apela ao Taleban para cumprir sua obrigação de libertar todos os civis e prisioneiros militares e libertá-los imediatamente", disse a resolução.

A primeira rodada de negociações de paz está planejada para ser realizada em Doha, capital do Catar, disse no sábado Abdullah Abdullah, presidente do Conselho Superior para Reconciliação Nacional e presidente da Loya Jirga.

A assembleia enfatizou a necessidade de "um cessar-fogo imediato e duradouro no país" e exortou a comunidade internacional, especialmente os Estados Unidos, a "se comprometer com o povo do Afeganistão".

A libertação de prisioneiros faz parte de um acordo assinado entre os EUA e o Talibã em fevereiro, que coloca em movimento o potencial de uma retirada total das tropas americanas do Afeganistão e o fim da guerra;

As forças americanas retiraram o Talibã do poder em 2001, após os ataques terroristas de 11 de setembro, que os EUA vincularam à Al-Qaeda, um grupo que operava sob a proteção do regime talibã no Afeganistão.

O acordo de fevereiro pedia a libertação de 5.000 prisioneiros do Taleban e 1.000 "prisioneiros do outro lado" no primeiro dia das negociações entre o governo afegão e o Talibã.

"Os lados relevantes têm o objetivo de libertar todos os prisioneiros restantes ao longo dos três meses subsequentes. Os Estados Unidos se comprometem a cumprir essa meta", afirma o acordo.

No sábado, o secretário de Defesa, Mark Esper, disse que os EUA reduzirão o efetivo para menos de 5.000 soldados no Afeganistão até o final de novembro.

"Estamos caindo para menos de 5.000 antes do final de novembro", disse Esper em uma entrevista à Fox News.