A secretário dos EUA, chanceler diz que China quer tornar Taiwan nova Hong Kong

Secretário de Saúde Alex Azar visita a ilha considerada uma província rebelde pela China, no encontro de mais alto nível entre EUA e Taiwan em décadas

Yimou Lee, da Reuters
11 de agosto de 2020 às 00:55 | Atualizado 11 de agosto de 2020 às 06:47
Secretário de Saúde dos EUA, Alex Azar
Secretário de Saúde dos EUA, Alex Azar, disse que país compartilhará remédios e vacinas contra Covid-19 após garantir suas necessidades
Foto: Central News Agency -10.ago.2020/ Reuters

Em encontro nesta terça-feira (11) com o secretário de Saúde dos EUA, Alex Azar, o ministro das Relações Exteriores de Taiwan, Joseph Wu, afirmou que o "Taiwan enfrenta uma posição cada vez mais difícil à medida que a China pressiona a ilha democrática a aceitar as condições que a transformariam na próxima Hong Kong".

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Azar chegou a Taiwan no domingo como o mais alto funcionário dos EUA a visitar a ilha em quatro décadas, uma viagem condenada pela China que reivindica o território como seu.

Nesta segunda-feira, caças chineses cruzaram brevemente a linha mediana do estreito de Taiwan e foram rastreados por mísseis antiaéreos taiwaneses, parte do que Taipei vê como um padrão de assédio por Pequim.

A viagem de Azar a Taiwan também coincidiu com uma nova repressão em Hong Kong, onde na segunda-feira a polícia prendeu o magnata da mídia Jimmy Lai sob uma nova e dura lei de segurança nacional.

"Nossa vida se tornou cada vez mais difícil à medida que a China continua pressionando Taiwan a aceitar suas condições políticas, condições que transformarão Taiwan no próximo Hong Kong", disse o ministro das Relações Exteriores, Joseph Wu, em uma apresentação conjunta à mídia com Azar em Taipei.

A China propôs um modelo de autonomia de "um país, dois sistemas" para fazer Taiwan aceitar suas normas, da mesma forma que usa em Hong Kong. A proposta foi rejeitada em Taiwan por todos os principais partidos e pelo governo.

Wu disse que Taiwan teve sorte de ter "amigos" como Azar nos Estados Unidos para ajudar na luta pelo espaço internacional da ilha.

"Sabemos que não se trata apenas do status de Taiwan, mas também de sustentar a democracia em face da agressão autoritária. Taiwan deve vencer essas batalhas para que a democracia prevaleça."

Washington rompeu relações oficiais com Taipei em 1979 em favor de Pequim, mas ainda é o maior fornecedor de armas de Taiwan. O governo Trump fez do fortalecimento de seu apoio à ilha uma prioridade, já que as relações com a China são abaladas em questões como direitos humanos e comércio.

Azar afirma estar em Taiwan não apenas para oferecer apoio do governo à sua democracia, mas para aprender sobre sua luta bem-sucedida contra a pandemia do coronavírus. Taiwan manteve seu número de infecções baixo graças aos esforços de prevenção precoces e eficazes.

O secretário americano disse que o mundo deveria reconhecer as conquistas de saúde de Taiwan, apontando para a exclusão de Taiwan da Organização Mundial da Saúde (OMS) devido às objeções chinesas, que consideram Taiwan apenas uma província rebelde.

"Especialmente durante uma pandemia, mas em todos os momentos, as organizações internacionais não devem ser lugares para fazer política. Devem ser locais para um diálogo e cooperação construtivos e abertos."

Tanto a China quanto a OMS afirmam que Taiwan recebeu a ajuda de que necessita durante a pandemia.