Jovens são os mais infectados em segunda onda de Covid-19 na Europa

Entre junho e julho pessoas com 20 a 29 anos representaram 19,5% dos casos do novo coronavírus; de janeiro a maio, maiores de 60 anos eram 40% dos infectados

Ivana Kottasová, da CNN
13 de agosto de 2020 às 14:26
Viajante retornando da Ucrânia tem amostra coletada para teste de Covid-19 em Berlim
Foto: Fabrizio Bensch - 05.ago.2020/ Reuters

A Europa está dando ao mundo um vislumbre do que acontece quando a epidemia de coronavírus é controlada e a economia reabre: o vírus volta a circular.

Espanha, França, Grécia e Alemanha estão entre os países que viram picos preocupantes de novos casos de Covid-19 nas últimas semanas, uma consequência de voltar – mais ou menos – ao normal após meses de bloqueio.

Enquanto o primeiro surto da pandemia no continente atingiu os idosos, se espalhando em asilos e hospitais, esses novos grupos de infecção parecem estar ligados a pessoas mais jovens, que estão se aventurando em bares, restaurantes e outros locais públicos.

"Há um verdadeiro ressurgimento de casos em vários países como resultado do relaxamento das medidas de distanciamento físico", disse o Centro Europeu para Prevenção e Controle de Doenças (ECDC) em um comunicado na segunda-feira (10). 

A Espanha está na vanguarda desta nova batalha. No início desta semana, o país ultrapassou o Reino Unido com o segundo maior número de casos confirmados na Europa, depois da Rússia.

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A Força Aérea Espanhola instalou um hospital de campanha na cidade de Zaragoza, capital da região de Aragão, que registrou um aumento nas infecções por Covid-19 nas últimas semanas.

Dados do Ministério da Saúde do país mostram que a idade média das pessoas com teste positivo para o novo coronavírus na Espanha tem caído constantemente nas últimas semanas, sugerindo que os mais jovens estão sendo infectados.

Outros países europeus também observaram essa mesma tendência. De acordo com o ECDC, 40% das pessoas que contraíram a doença na Europa entre janeiro e maio tinha 60 anos ou mais.

Mas entre junho e julho este grupo representou apenas 17,3% de todos os casos. A maior proporção de casos nestes meses ficou entre as pessoas com 20 a 29 anos: 19,5%, disse o ECDC. A idade média dos infectados caiu de 54 anos entre janeiro e maio para 39 anos em junho e julho.

O ministro da Saúde da França, Olivier Véran, disse que o vírus agora está circulando entre os jovens do país. Na quarta-feira (12), a França teve seu maior salto em novos casos diários desde o início da flexibilização dos bloqueios, com 2.524 novas infecções em 24 horas, de acordo com o ministério.

No entanto, Véran disse que o impacto no sistema de saúde não é tão ruim quanto foi no começo do ano, quando a França teve taxas de infecção semelhantes.

Turistas no Mercado San Miguel, em Madri; Espanha é o segundo país da Europa com mais casos de Covid-19 na Europa
Foto: Javier Barbancho - 31.jul.2020/ Reuters

"A proporção de casos complicados é muito menor", disse Véran ao canal de TV France 2, acrescentando que a idade das pessoas infectadas é uma das razões por trás disso. "Os pacientes com diagnóstico [de Covid-19] agora são mais jovens, entre 20 e 40 anos, e menos vulneráveis", explicou ele.

A Grécia também está registrando novos picos de casos. O país teve o maior aumento diário de casos de Covid-19 desde que a pandemia começou na quarta-feira, com 262 novas infecções registradas pela Organização Nacional de Saúde Pública da Grécia. 

De acordo com um tuíte de Vassilis Kikilias, ministro da saúde da Grécia, a idade média das pessoas infectadas em agosto caiu para 36 anos.

Em comparação com outros países europeus, a Grécia conseguiu manter o vírus sob controle nos últimos meses. O país relatou 6.177 casos até agora, uma fração dos números vistos em outros lugares. 

As baixas taxas de infecção permitiram que a Grécia recebesse turistas do resto da Europa, por ser considerado um país seguro. Agora, na tentativa de impedir novos surtos, o governo grego está fechando um pouco a porta.

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No início desta semana, visitantes vindos da Espanha, Suécia, Bélgica, República Tcheca e Holanda precisam de um teste negativo para entrar no país. Há também um novo toque de recolher à meia-noite para bares e restaurantes em 16 áreas da Grécia.

Enquanto isso, o número de novas infecções diárias na Alemanha voltou a subir para mais de 1.000, após vários dias de taxas mais baixas. O centro de prevenção de doenças do país, o Instituto Robert Koch, relatou 1.226 novas infecções na quarta-feira (12), o maior desde maio. 

À medida que as escolas alemãs começam a reabrir, o governo pede que as pessoas sigam as regras de distanciamento social e usem máscaras. O país também realiza uma campanha massiva de testes gratuitos para quem entra no país.

A Itália, marco zero da epidemia na Europa, até agora conseguiu contrariar a tendência. Mas, diante de novos surtos em outros países, o país implementou medidas destinadas a impedir que o vírus seja importado do exterior: como grande parte do resto da Europa, a Itália ainda não permite que viajantes da maior parte do mundo entrem no país livremente.

Mas a partir desta quinta-feira (13), as restrições se aplicarão até mesmo a pessoas vindas de países que a Itália considera seguros. Viajantes que estiveram na Croácia, Grécia, Malta e Espanha nos últimos 14 dias – mesmo que só de passagem – só podem entrar na Itália se apresentarem resultados negativos até 72 horas antes da chegada.

Mais ao norte, o Reino Unido introduziu na semana passada novos requisitos de quarentena para pessoas que vêm da Bélgica após picos de casos no país. Também anunciou vários bloqueios locais em partes do norte do país, onde novos surtos foram identificados.

(Texto traduzido. Clique aqui para ler o original, em inglês)