Acordo entre Israel e Emirados teve 'paz em troca de paz', diz analista político

André Lajst explica que tratado deve levar a uma normalização completa das relações diplomáticas entre israelenses e árabes

Da CNN
14 de agosto de 2020 às 13:47

Israel e Emirados Árabes Unidos (EAU) selaram um acordo de paz nesta quinta-feira (13), que deve levar a uma normalização completa das relações diplomáticas entre os dois países do Oriente Médio.

O tratado contou com a ajuda do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que disse que este é "um acordo histórico".

Em entrevista à CNN, nesta sexta-feira (14), o cientista político André Lajst, diretor da ONG educacional Stand With Us avaliou o cenário após o anúncio do tratado. Ele também afirmou que, pela primeira vez, um acordo "teve paz, pela paz".

"Os países árabes que não têm fronteira com Israel sempre falaram que eles iriam, eventualmente, ter uma relação com Israel depois que resolvessem a questão com os palestinos. O que aconteceu ontem, que foi histórico, foi porque, pela primeira vez, teve paz em troca de paz e, não, paz em troca de outra coisa", disse.

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O cientista político André Lajst, diretor da ONG educacional Stand With Us
Foto: Reprodução/CNN (14.ago.2020)

Lajst também explicou o contexto histórico de conflitos no mundo árabe. De acordo com ele, após a independência de Israel, qualquer país da Liga Árabe, que reúne os principais países da região, estava proibido de ter relações diplomáticas com os israelenses.

"O mundo árabe, desde a fundação de Israel, em 1948, não reconheceu a sua criação. É importante lembrar que a decisão de partilha da Palestina foi tomada pela Assembleia Geral da ONU, em 1947. Esta partilha não foi aceita pela Liga Árabe na época. Posteriormente, isso gerou um conflito, que foi a Guerra de Independência de Israel, onde foi registrado confronto entre países vizinhos. Neste embate, Israel conseguiu manter a sua independência e a Liga Árabe começou três níveis de boicote. Era proibido ter relações diplomáticas com Israel", finalizou.

(Edição: André Rigue)