Trump diz que considera perdoar Edward Snowden por vazar documentos secretos

Ex-agente da CIA e da NSA está refugiado na Rússia desde 2013. Autoridades americanas querem julgá-lo pelo vazamento de arquivos secretos de espionagem dos EUA

Raphael Satter, da CNN
16 de agosto de 2020 às 03:04 | Atualizado 16 de agosto de 2020 às 03:05
Edward Snowden
Foto: Instagram/ Reprodução

O presidente americano Donald Trump afirmou, neste sábado (15), que considera conceder perdão para Edward Snowden, o ex-técnico da Agência Central de Inteligência (CIA) e da Agência de Segurança Nacional dos EUA - agora refugiado na Rússia - cujos vazamentos abalaram a comunidade de inteligência dos EUA em 2013.

"Vou começar a olhar para isso", disse Trump a repórteres sobre um possível perdão, falando em uma entrevista coletiva em seu clube de golfe em Bedminster, New Jersey.

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Ele considerou que "há muitas pessoas que pensam que ele (Snowden) não está sendo tratado com justiça" pelas autoridades americanas.

As autoridades americanas há anos pressionam para que Snowden retorne aos Estados Unidos e seja julgado por acusações de espionagem apresentadas em 2013.

Snowden fugiu dos Estados Unidos e recebeu asilo na Rússia em 2013, depois que vazou uma série de arquivos secretos para veículos de notícia de todo o mundo, que revelaram vastas operações de vigilância domésticas e internacionais realizadas pela NSA.

A nova postura de Trump em relação a Snowden representa brusca mudança. Pouco depois dos vazamentos, Trump expressou hostilidade em relação a Snowden, chamando-o de "um espião que deveria ser executado".

Trump disse que acha que os americanos de esquerda e direita estão divididos a respeito Snowden.

"Parece ser uma decisão dividida", disse Trump a repórteres. "Muitas pessoas acham que ele deveria ser tratado de maneira diferente. E outras acham que ele fez coisas muito ruins."

Alguns libertários civis elogiaram Snowden por revelar o alcance extraordinário das operações de espionagem digital da América, incluindo programas de espionagem doméstica que altos funcionários dos EUA insistiram publicamente que não existiam.

Mas tal movimento foi considerada também, por muitos, uma grande afronta ao país. Trump criticou duramente os líderes anteriores da comunidade de inteligência dos EUA e do FBI e, na quinta-feira, mirou no atual diretor da agência, Christopher Wray, seu próprio nomeado.

O Departamento de Justiça dos EUA entrou com uma ação em setembro passado contra Snowden, argumentando que seu livro de memórias publicado recentemente, Registro Permanente, violava acordos de não divulgação.

A organização afirmou que Snowden publicou o livro sem submetê-lo às agências de inteligência para revisão, acrescentando que os discursos feitos por Snowden também violavam os acordos de não divulgação.

O uso de Trump de seus poderes executivos de clemência, incluindo perdões, muitas vezes beneficiou aliados e figuras políticas bem relacionadas.

No mês passado, ele comutou a sentença de seu amigo de longa data e conselheiro Roger Stone, poupando-o da prisão depois que ele foi condenado por mentir sob juramento a legisladores que investigavam a interferência russa na eleição de 2016 nos EUA para impulsionar a candidatura de Trump.