Soldados prendem o presidente do Mali, Ibrahim Keïta

País enfrenta crise política que se acentuou depois que a Justiça anulou o resultado das eleições parlamentares; relatos apontam que motim visa golpe de estado

Da CNN, em São Paulo
18 de agosto de 2020 às 17:10 | Atualizado 18 de agosto de 2020 às 21:26

Um motim de militares do Mali resultou, na tarde desta terça-feira (18), na prisão de Ibrahim Boubacar Keita, presidente do país. A rebelião se iniciou em um quartel a 15 quilômetros da capital Bamako e se apresenta como uma aparente tentativa de golpe.

O primeiro-ministro Boubou Cisse também foi detido pelos rebeldes. O país enfrenta uma crise política e vivia uma tentativa de conciliação entre o governo do Mali e os militares amotinados.

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A crise se acentuou em maio, desde que a Justiça do país anulou o resultado de eleições parlamentares, o que permitiu que o partido de Ibrahim Keïta ocupasse a maior parte das vagas abertas.

Houve revolta popular, e imagens registraram destruição e saques durante conflitos deflagrados.

O secretário-geral da ONU, Antonio Gutérres, condenou a prisão de Keïta e defendeu sua libertação imediata. "O secretário-geral pede a imediata restauração da ordem constitucional e do estado de direito em Mali", disse a porta-voz, Stephane Dujarric.

A coalizão no Mali por trás dos protestos em massa pedindo a renúncia do presidente disse que a detenção de Keita por soldados amotinados "não foi um golpe militar, mas uma insurreição popular".

"O IBK não queria ouvir seu povo. Até propusemos uma alternativa, mas ele respondeu com assassinatos", disse à Reuters Nouhoum Togo, porta-voz da coalizão M5-RFP, referindo-se a Keita por suas iniciais.

O presidente da Comissão da União Africana, Moussa Faki Mahamat. criticou as prisões. "Condeno energicamente a prisão do presidente Ibrahim Boubacar Keita, do primeiro-ministro e de outros membros do governo do Mali e apelo à sua libertação imediata", disse Faki no Twitter.

(Com informações da Reuters)