Wisconsin tem 3º dia de protestos após homem negro ser baleado em ação policial

Pais de Jacob Blake condenaram saques, vandalismo e incêndios criminosos que ofuscaram protestos de rua pacíficos

Brendan McDermid e Stephen Maturen, da Reuters
26 de agosto de 2020 às 02:15 | Atualizado 26 de agosto de 2020 às 07:04

A polícia utilizou equipamento de choque ao confrontar, já durante o anoitecer, cerca de 200 manifestantes que desafiaram o toque de recolher no centro da cidade de Kenosha, uma cidade com cerca de 100.000 habitantes. Esta terça-feira (26) marcou o terceiro dia de protestos na cidade após a Jacob Blake, um homem negro aparentemente desarmado, ser alvejado em uma ação policial. 

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Blake ficou paralisado e está "lutando por sua vida", disseram sua família e advogados na terça-feira, horas antes de manifestantes e autoridades se confrontarem por uma terceira noite de agitação civil.

Vários veículos de patrulha blindados de estilo militar foram vistos manobrando ao redor do tribunal do condado, disparando gás lacrimogêneo contra a multidão, muitos dos quais atiraram garrafas de água, foguetes e outros objetos contra a polícia.

Os distúrbios aconteceram horas depois que o governador de Wisconsin, Tony Evers, declarou estado de emergência e prometeu enviar tropas adicionais da Guarda Nacional em uma tentativa de restaurar a ordem na cidade, enquanto a mãe do homem que foi baleado, Jacob Blake Jr, apelou publicamente por calma. 

Blake, de 29 anos, pai de seis filhos, foi atingido por trás à queima-roupa em uma saraivada de balas disparadas no domingo por policiais que o seguiam com armas em punho enquanto ele se afastava em direção a seu carro.

Um espectador registrou a cena em um vídeo que imediatamente se tornou viral, desencadeando a indignação sobre o último de uma longa série de casos em que a polícia foi acusada de usar força letal indiscriminada contra afro-americanos.

Blake, que tentava acabar com uma briga entre duas mulheres, foi atingido por quatro dos sete tiros disparados contra ele, todos por um policial, e "não havia indicação de que ele estivesse armado", disse Crump em entrevista à ABC News. A polícia não explicou por que Blake foi baleado.

Em uma entrevista coletiva no final do dia, os pais de Blake expressaram angústia com a abordagem policial em seu filho enquanto condenavam duas noites anteriores de saques, vandalismo e incêndio criminoso que ofuscaram protestos de rua pacíficos.