Grupo QAnon espalha teorias para ajudar na reeleição de Donald Trump


Núria Saldanha e Marcelo Favalli, Da CNN
19 de setembro de 2020 às 18:08 | Atualizado 19 de setembro de 2020 às 21:25

A QAnon, uma teoria da conspiração que surgiu na internet, ganhou presença nos comícios do presidente norte-americano, usando símbolos que provocam curiosos a pesquisá-los na internet.

Quem vai atrás do significado encontra milhares de páginas com denúncias publicadas pelo anônimo Q. "É uma espécie de sistema de crença que reúne uma teia extensa dessas teorias da conspiração conectadas e infundadas. E vão desde a existência de um governo paralelo mundial até círculos de pedofilia envolvendo elites políticas e culturais", explica Zarine Kharazian, pesquisadora do Atlantic Council, que monitora grupos online dominados pelo Q Anon.

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Grupo Q Anon espalha teorias para atrapalhar Trump (19.set.2020)

 

Foto: Reprodução/CNN

As teorias começaram a aparecer em fóruns online, há quase três anos. A mais famosa delas diz que um grupo de poderosos e milionários teria se infiltrado na administração pública americana para destruir o governo Trump.

À medida que as postagens ganhavam popularidade, mais informações eram liberadas pelo misterioso "Q", alguém que diz ter acesso a documentos ultrassecretos dos Estados Unidos. 

"As pessoas que são atraídas por teorias da conspiração tendem a ser pessoas que estão se sentindo ansiosas sobre o mundo, que sentem muita incerteza e estão procurando por explicações que as ajudem a encontrar sentido em um cenário em que sentem que perderam o controle. Eles também tendem a ser propensos a ideologias extremistas, e em um particular é atraente para as pessoas da direita política." diz Jonathan Hanson, professor da Universidade de Michigan.

O movimento conquistou ainda mais adeptos quando as publicações passaram a acusar os democratas de interferência na eleição de 2016. Enquanto a investigação do procurador especial Robert Mueller apontava favorecimento a Donald Trump, o QAnon defendia a ideia de que tudo não passava de um plano elaborado por Barack Obama, Hillary Clinton e... Vladimir Putin, para incriminar o rival.

E não para por aí: para incentivar a ira dos seguidores, o grupo passou a distribuir relatórios associando figuras políticas à pedofilia e rituais satânicos. Uma estratégia antiga entre grupos extremistas.

O próprio presidente Donald Trump já compartilhou histórias disseminadas pelo QAnon em redes sociais. E numa entrevista na casa branca admitiu que conhecia o grupo.

Quando o novo coronavírus surgiu, o QAnon passou a apostar em desinformação sobre saúde pública, se unindo a grupos antivacinas e dizendo que a defesa do uso de máscaras faciais não era para evitar a disseminação do vírus, mas para facilitar o tráfico de crianças. O FBI considera o QAnon terrorismo doméstico e uma ameaça a segurança nacional.