Por que liderança de Biden nas pesquisas é diferente da de Hillary em 2016

Pesquisas indicam que o democrata está à frente de Donald Trump, dias antes do primeiro debate entre os dois; CNN Brasil vai transmitir o encontro

Da CNN
28 de setembro de 2020 às 09:38

Novas pesquisas de intenção de voto divulgadas nesse domingo (27) mostram que o ex-vice-presidente democrata Joe Biden conta com uma boa vantagem sobre o presidente republicano Donald Trump, a poucos dias do primeiro debate entre os dois candidatos. O evento será realizado nesta terça-feira (29) e poderá ser acompanhado na CNN Brasil a partir das 22h00 (horário de Brasília).

A pesquisa The New York Times/Siena College dá a Biden 49% das intenções de voto, enquanto Trump tem 41%. A enquete realizada pela ABC News/Washington Post mostra uma distância ainda maior entre os candidatos: 54% para Biden e 44% para Trump. 

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O candidato democrata à presidência dos EUA Joe Biden
Foto: Kevin Lamarque - 04.set.2020 / Reuters

Disputa mais acirrada em 2016

Biden pode acabar perdendo assim como Hillary Clinton em 2016, mas o trabalho de Trump está mais difícil desta vez. Embora o republicano estivesse atrás da democrata neste ponto da corrida presidencial, a disputa foi muito mais acirrada naquele ano.

Isso fica claro na pesquisa da ABC News/Washington Post realizada antes do primeiro debate entre os candidatos à presidência em 2016. Hillary estava à frente de Trump por apenas 2 pontos percentuais – e apenas 1 se incluísse candidatos de outros partidos.

A média das pesquisas conta a mesma história. Hoje, Biden segue à frente por 7 ou 8 pontos em todo o país. Hillary tinha apenas 2 pontos de vantagem. 

Estados-chave

Além disso, pesquisas estaduais divulgadas nesse domingo mostram que Biden lidera em alguns estados-chave. A NBC News/Marist College coloca o democrata com uma vantagem de 52% a 44% em Michigan e 54% a 44% em Wisconsin. Apesar de as médias estarem um pouco apertadas, Biden lidera com mais de 6 pontos nos dois estados – em 2016, Hillary perdeu nos dois.

A disputa está dentro da margem de erro na pesquisa CBS News/YouGov na Georgia (Trump com 47% e Biden com 46%) e na Carolina do Norte (Biden com 48% e Trump com 46%). Esses números representam uma melhora considerável dos democratas em relação a 2016, quando Clinton perdeu esses estados por 5 e 4 pontos, respectivamente.

Mas a vantagem de Biden vai além da margem de erro. Com relação à porcentagem de votos de Biden, ele está um pouco acima de 50% na média de todas as pesquisas nacionais. Hillary tinha pouco mais de 40% antes dos debates. Mesmo Trump, com uma média de 43% nas enquetes, está com uma porcentagem mais alta do que tinha na mesma época há quatro anos.

O peso dos eleitores indecisos

Neste mesmo período em 2016, havia muito mais eleitores indecisos ou que preferiam votar em candidatos de outros partidos (nem Democrata, nem Republicano). Menos de 20% dos eleitores estavam indecisos ou favoráveis a um terceiro candidato. Hoje, esse número está em menos de 10%. E era exatamente esse grupo que Trump poderia atrair para o lado dele e compensar a diferença que tinha com relação a Hillary.

Na verdade, foi isso que aconteceu, de acordo com pesquisas de 2016. Hillary venceu por 6 pontos percentuais entre os eleitores que se decidiram antes do último mês de campanha. Trump venceu nos estados, totalizando 270 votos, e chegou perto da vitória no voto popular, porque venceu Hillary por 8 pontos entre os eleitores que se decidiram ao longo do último mês de campanha.

Considerando o fato de que hoje há menos indecisos ou eleitores favoráveis um outro candidato, as chances de isso se repetir neste ano são bem menores.

Margem para vitória

Ainda assim, é possível que Trump saia vitorioso. Não se tem certeza de qual margem Biden precisa para vencer o republicano nacionalmente, visando ganhar a maioria dos votos eleitorais. Alguns modelos históricos e estatísticos feitos em 2020 indicam que o democrata precisa vencer em todo o país por 5 pontos ou mais de vantagem para ficar seguro sobre uma vitória no Colégio Eleitoral.

Biden está à frente por apenas alguns pontos a mais do que a margem de 5 pontos. Embora as pesquisas nacionais normalmente sejam muito precisas ao final da campanha, elas podem errar por 3 pontos ou mais.

Além disso, ainda é preciso ver o que acontecerá depois dos três debates agendados. Normalmente eles não alteram tanto as pesquisas, mas é totalmente possível que a liderança nacional de Biden diminua em 1 ou 2 pontos.

O resumo da ópera permanece o mesmo: Biden se mantém na liderança, mas isso não garante nada. 

(Com informações de Harry Enten, da CNN, em Atlanta)