Uso de remdesivir por Trump pode indicar infecção grave de Covid-19, diz médico

André Kalil, médico brasileiro que atua nos Estados Unidos, falou sobre o tratamento do presidente dos EUA com o antiviral

Da CNN
03 de outubro de 2020 às 15:44


A última atualização médica sobre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, indicou progresso no combate à infecção pelo novo coronavírus. A equipe de profissionais da saúde que acompanha Trump informou que, na noite de sexta-feira (2), ele recebeu a primeira dose do antiviral redemsevir.

O médico brasileiro André Kalil, que é pesquisador na Universidade de Nebraska e liderou os testes com o medicamento no Estados Unidos, avaliou à CNN que o quadro de Trump pode ter piorado ontem, já que o redemsevir só é indicado em casos de agravamento da Covid-19.

"Aqui nos Estados Unidos, a indicação [para tomar redemsevir] é para pacientes que estão infectados com Covid-19, têm a necessidade de serem hospitalizados e têm progressão da doença, ou seja, o indivíduo não está conseguindo se hidratar e comer adequadmente, está com falta de ar e muita febre", explicou Kalil.

Os médicos de Donald Trump relataram que ele não teve dificuldade para respirar, mas registrou febre e tosse. O presidente norte-americano também está sendo encorajado a comer e beber bem para se manter hidratado.

Nas últimas 24 horas, Trump não teve febre. Kalil, no entanto, ressaltou que isso não indica que a doença está sendo curada, mas sim que ela segue em progresso.

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"O fato dele não ter tido febre nas últimas 24h não significa nada. Eu tenho pacientes que sentem febre num dia, mas não tem no outro. A ausência de febre significa simplesmente parte do processo natural da doença. As pessoas na idade dele, entre 70 e 80 anos, têm um sistema imunológico que não tem aquela capacidacidade de produzir febre alta."

André Kalil relatou que a pesquisa liderada por ele sobre o redemsevir, iniciada em fevereiro, já administrou o medicamento em quase 3 mil pessoas.

"É um medicamento que tem capacidade de cancelar a replicação da Covid-19. Nesse momento, usamos essa medicação com o objetivo de reduzir os sintomas, o tempo de hospitalização e a mortalidade desses pacientes", pontuou.