Macron diz que agirá contra terrorismo após professor ser decapitado na França


Gabriel Passeri, da CNN, em São Paulo*
17 de outubro de 2020 às 01:58 | Atualizado 17 de outubro de 2020 às 06:30
Presidente francês Emmanuel Macron falou a repórteres no local do ataque

Presidente francês Emmanuel Macron falou a repórteres no local do ataque

Foto: Twitter/ Reprodução

Um professor de história do ensino médio foi decapitado nesta sexta-feira (16) próximo à escola onde lecionava em um subúrbio de Paris. No início do mês, ele havia mostrado a seus alunos caricaturas do profeta Maomé, ato considerado blasfemo por muçulmanos.

O agressor foi morto a tiros por uma patrulha policial a algumas ruas de distância do local do crime, a comuna de Éragny-sur-Oise.

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“Um de nossos concidadãos foi assassinado hoje porque estava ensinando, estava ensinando os alunos sobre liberdade de expressão”, disse o presidente francês Emmanuel Macron a repórteres no local do ataque.

"Nosso compatriota foi flagrantemente atacado, vítima de um ataque terrorista islâmico", disse Macron. “Eles não vão ganhar. Vamos agir. Com firmeza e rapidez. Você pode contar com a minha determinação", completou.

O incidente trouxe ecos do ataque de cinco anos atrás nos escritórios da Charlie Hebdo. A revista havia publicado charges com o profeta Maomé, quando um extremista islâmico invadiu a redação e matou 12 pessoas.

Em setembro, ao menos duas pessoas ficaram feridas em um ataque com faca em Paris perto do antigo escritório do Charlie Hebdo. Em 2020, o jornal satírico republicou as caricaturas de Maomé. 

O assassinato desta sexta-feira, tendo como alvo um professor, foi interpretado por muitas figuras públicas como um ataque à essência do Estado francês pelos valores que defende de secularismo, liberdade de culto e liberdade de expressão.

“Esta noite é a República que está sob ataque”, escreveu o ministro da Educação, Jean-Michel Blanquer, em um tuíte.

A emissora francesa BFMTV informou que o suposto agressor tinha 18 anos e nasceu em Moscou. Os encarregados da aplicação da lei não identificaram o agressor ou sua vítima.

* Sob supervisão de Diego Freire

(Com informações de Reuters e CNN Internacional)