Na véspera do último debate, Biden bate Trump em anúncios na TV

Ostensividade em anúncios vem ajudando a conter efeito de ausência do democrata na campanha para se preparar para duelo com Trump

Eric Bradner, da CNN
22 de outubro de 2020 às 00:42 | Atualizado 23 de outubro de 2020 às 00:34
O candidato democrata à presidência dos Estados Unidos, Joe Biden
Foto: Kevin Lamarque/Reuters (6.out.2020) 

Joe Biden suspendeu sua campanha nos últimos dias para se preparar para o debate desta quinta-feira (22), mas sua campanha está buscando ampliar a sua vantagem nas ondas das transmissões, nas quais ele está investindo mais que o presidente Donald Trump nas últimas duas semanas de campanha.

A campanha de Biden programou um anúncio para ir ao ar na segunda noite da World Series, a reta final do campeonato americano de beisebol, na noite desta quarta-feira (21). Trata-se de um espaço publicitário importante e caro que o democrata também ocupou na primeira noite dos confrontos, na terça-feira (20), quando exibiu um anúncio positivo sobre si apresentado pelo ator Sam Elliott.

Trata-se de um pacote de anúncios da World Series avaliado em US$ 4 milhões comprado por Joe Biden. Ele também terá um anúncio veiculado na transmissão de quinta-feira (22) da NFL, a liga de futebol americano do país, atingindo aqueles que não estejam assistindo ao seu debate contra Trump.

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O anúncio exibido na terça-feira apresentou Joe Biden encerrando a sua campanha com uma mensagem positiva e uma versão ao piano do clássico The Star-Spangled Banner tocando sobre uma montagem de cenas do país e do ex-vice-presidente em campanha.

"Há apenas um país -- não há rios democratas nem montanhas republicanas. Apenas essa grande terra e tudo que é possível com um recomeço", diz Sam Elliott no anúncio.

"Curas, nós podemos encontrar. Futuros, nós podemos moldar. Trabalho por recompensa, dignidade para proteger. Há tanto que podemos fazer se escolhermos enfrentar os problemas e não uns aos outros. E escolher um presidente que reflita o nosso melhor."

"Joe Biden não precisa que todos neste país concordem sempre. Apenas que concordem que todos nós amamos esse país e que partiremos disso", afirma.

A compra de espaços relevantes de propaganda é um luxo que coloca Biden em todo estado decisivo com frequência, uma ferramenta valiosa em uma campanha cujas pesquisas apresentam o ex-vice-presidente à frente ou empatado com Trump em 10 estados nos quais o republicano venceu em 2016. E ele também está conseguindo manter uma mão cheia de estados democratas, também.

"Se você olhar no custo de comprar um anúncio em todos esses estados versus comprá-lo nacionalmente, você ficaria surpreso que às vezes vale mais a pena, apenas pela escala e o número de estados em que você vai estar, de apenas comprar os espaços nacionalmente", diz um aliado de Biden.

Mas Biden e grupos democratas também estão superando Trump e o Partido Republicano nas transmissões dos swing states, como são conhecidos os estados-chave da eleição americana.

De acordo com dados da empresa de monitoramento CMAG, os democratas reservaram US$ 155 milhões em anúncios para as últimas duas semanas antes das eleições de 3 de novembro, comprado com apenas US$ 88 milhões do lado republicano.

Trump está gastando menos que a campanha de Biden em todo estado em que eles disputam, com exceção da Flórida e a Pennsylvânia -- um estado onde o Future Forward PAC, um comitê de apoio fundado por figuras importantes do Vale do Silício, está colocando mais US$ 13 milhões na campanha democrata, muito mais do que compensando a diferença entre as campanhas (Trump reservou US$ 4 milhões contra US$ 3,6 milhões de Biden no estado).

A campanha de Trump, enquanto isso, aparenta ter desistido de Wisconsin, gastando menos de US$ 80 mil em anúncios lá.

A onda de anúncios enquanto dezenas de milhões de votos antecipados estão sendo dados mostra Joe Biden virando de cabeça pra baixo o que tinha sido tornado senso comum -- de que Trump iria arrecadar mais e superá-lo nos gastos.

Em setembro, a campanha democrata arrecadou US$ 135 milhões a mais do que a republicana. Em outubro, Biden começou com US$ 177 milhões em seu caixa de campanha, contra US$ 63 milhões na conta de campanha de Donald Trump.

O efeito dessa onda pró-Biden de anúncios tem sido minimizar a habilidade de Trump de dominar a atenção da mídia, as redes sociais e mais nos últimos dias de campanha. Isso também ajuda a compensar a ausência de Biden na campanha.

Joe Biden está fora das campanhas pelo país nesta segunda para se encontrar com auxiliares e se preparar para o debate da noite desta quinta-feira -- seu segundo e último encontro com Donald Trump.

Um conselheiro do candidato democrata contou à CNN que, em sua preparação para o debate, Biden está se preparando para Trump tentar "intimidá-lo e desviá-lo" e também está se preparando para que o presidente fale não apenas do adversário mas também da família deste.

O objetivo geral de Joe Biden é similar ao do primeiro debate: Falar diretamente para o povo americano sobre como ele conteria a pandemia do novo coronavírus e reconstruiria a economia americana. Ele também pretende pontuar que Trump está evitando a realidade da alta na disseminação do vírus, disse o conselheiro.

Biden deve enfatizar a tese de que a campanha trata-se de uma disputa das pessoas da Park Avenue, uma avenida de elite em Nova York, contra Scranton, a sua cidade natal, que ele coloca como sendo identificada como representativa da classe trabalhadora.

O candidato democrata afirmou na terça-feira que ele acredita que a nova regra instituída para o último debate -- que vai silenciar o microfone do candidato opositor em momentos do evento em que a palavra for exclusiva do oponente -- como uma boa ideia, dizendo que a Comissão de Debates Presidenciais poderia ir além.

"Eu penso que é uma boa ideia", disse Biden à WISN, afiliada da CNN em Milwaukee. "Eu acredito que deveria haver mais limitações para que nós não interrompamos um ao outro", acrescentou.

O candidato democrata afirmou que ele irá ao debate pronto para discutir temas que afetam os americanos e que ele espera que Donald Trump faça o mesmo. No entanto, ele diz acreditar que o presidente sinaliza que será "tudo sobre ataques pessoais".

"Mas eu vou tentar muito seriamente focar nos assuntos que afetam os americanos, conversar com eles e eu espero que eles mantenham a regra -- dos dois minutos sem interrupção", disse Joe Biden.