Apuração oficial confirma vitória de aliado de Evo Morales na Bolívia

Com 100% das urnas apuradas, Luís Arce, do Movimento ao Socialismo (MAS), conquistou 55,1% dos votos

Henrique Andrade*, da CNN, em São Paulo
23 de outubro de 2020 às 13:56
Luis Arce (no centro, de óculo) comemora após anúncios preliminares de vitória nas eleições bolivianas
Foto: Twitter/ Reprodução

A apuração oficial das eleições presidenciais da Bolívia, que aconteceram no último domingo (18), terminou nesta sexta-feira (23), confirmando a ampla vitória de Luís Arce, do Movimento ao Socialismo (MAS). Com 100% das urnas apuradas, o aliado de Evo Morales teve 55,1% dos votos, contra 28,8% de Carlos Mesa, ex-presidente do país, considerado de centro-esquerda.

Pelas leis bolivianas, para vencer no primeiro turno, são necessários 40% dos votos e que o candidato vencedor tenha pelo menos dez pontos percentuais a mais que o segundo colocado. O candidato de direita, Luís Fernando Camacho, ficou em terceiro lugar, recebendo 14% dos quase 7 milhões de votos registrados no pleito.

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O ex-presidente Evo Morales voltou a comemorar o resultado em suas redes sociais: "É a vitória de um país que quer estabilidade econômica e paz", escreveu. Também pela internet, os presidentes de Argentina, Chile, Colômbia, Paraguai, Peru e Uruguai deram os parabéns à Arce. O presidente brasileiro Jair Bolsonaro ainda não se manifestou.

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) anunciou que divulgará os resultados oficiais nesta sexta-feira (23), às 18h do horário local (17h de Brasília), e então chancelará a eleição do candidato de esquerda.

A vitória de Arce já era dada como certa desde o início desta semana pelas pesquisas de boca de urna. Já na madrugada de segunda (19/10), a presidente interina da Bolívia, Jeanine Áñez, disse que "pelos dados que tenho, o senhor Arce ganhou as eleições". Ela aproveitou para felicitar o candidato e pediu que ele governe "pensando na Bolívia e na democracia".

Caos eleitoral em 2019


Em 2019, Evo Morales liderava a contagem parcial de votos para vencer no primeiro turno e iniciar um quarto mandato quando os resultados foram suspensos, após a oposição denunciar fraudes, sustentadas por relatório da Organização dos Estados Americanos (OEA).

Com a indefinição eleitoral, diversos episódios de violência explodiram pelo país nos dias seguintes e forçaram Evo a renunciar.

Após a renúncia de outros partidários de Evo de cargos de sucessão, Jeanine Áñez, senadora da oposição, foi nomeada presidente interina em uma sessão do Congresso com quórum reduzido. Áñez governava o país desde então.

Durante o caos eleitoral de 2019, Evo deixou a Bolívia – primeiramente com destino ao México e depois se instalando na Argentina. Com a confirmação da vitória de Arce, é esperado que o ex-presidente retorne ao país.

(*Sob supervisão Evelyne Lorenzetti)