Governo Trump vai reduzir tropas no Afeganistão e Iraque antes da posse de Biden

Retirada acontecerá em 15 de janeiro de 2021 — dias antes da posse do novo presidente

Barbara Starr e Ryan Browne, da CNN
17 de novembro de 2020 às 18:22 | Atualizado 17 de novembro de 2020 às 22:46

 

O recém nomeado secretário de Defesa dos Estados Unidos, Christopher C. Miller, anunciou nesta terça-feira (17) que os EUA irão retirar milhares de soldados americanos do Afeganistão e do Iraque até 15 de janeiro de 2021 — poucos dias antes de o presidente eleito Joe Biden tomar posse — confirmando os planos relatados pela CNN ontem (16).

Miller disse que a retirada de 2.500 soldados de ambos os países "não significa uma mudança" nas políticas ou objetivos dos EUA.

Atualmente, existem cerca de 4.500 soldados dos EUA no Afeganistão e 3.000 no Iraque.

Um oficial sênior da defesa disse que o anúncio é "consistente" com o que o presidente Donald Trump anunciou publicamente no início deste ano e é "consistente com sua promessa ao povo americano".

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Uma série de mudanças radicais no Pentágono na semana passada, que começou com a demissão do secretário de Defesa Mark Esper, resultou nos partidários de Trump instalados em influentes posições do órgão. Fontes bem informadas disseram a Jake Tapper, da CNN, que o expurgo dirigido pela Casa Branca no Departamento de Defesa pode ter sido motivado pelo fato de Esper e sua equipe estarem resistindo a uma retirada prematura do Afeganistão, que seria realizada antes das condições exigidas serem cumpridas.

O oficial de defesa sênior afirmou que "não há redução na capacidade" por conta da retirada, e chamou a redução de uma decisão "colaborativa", enquanto se recusa a endereçar um recente memorando do Pentágono que afirma que as condições no Afeganistão não justificam reduções adicionais .

Antes de sua demissão, Esper enviou um memorando sigiloso à Casa Branca afirmando que era a recomendação unânime da cadeia de comando que os Estados Unidos não diminuíssem a presença de tropas no Afeganistão até que as condições fossem cumpridas, disseram fontes familiarizadas com o memorando à CNN.

A avaliação da cadeia de comando - composta por Esper, líder do Comando Central dos Estados Unidos, Kenneth "Frank" McKenzie, General dos Fuzileiros Navais e comandante da missão da OTAN no Afeganistão, e General Austin Miller - afirmou que as condições necessárias não foram atendidas. Outros concordaram, disseram fontes à CNN.

No início desta terça-feira (17), um relatório recém-divulgado pelo inspetor geral do Pentágono disse que o grupo terrorista Al Qaeda apoia os planos do governo Trump de retirar as tropas do Afeganistão, bem como o acordo dos EUA com o Taleban, acrescentando que o Taleban realizou ataques contra os EUA e o pessoal da coalizão desde que o acordo foi assinado.

(Texto traduzido, leia o original em inglês)