Casal sobrevive a naufrágio no Mediterrâneo, e alianças são encontradas no mar

Após sobreviver a naufrágio com 5 mortos na costa italiana, casal de imigrantes argelinos descobre que equipe de resgate encontrou suas alianças de casamento

Por Ivana Kottasová and Caitlin Hu, da CNN
25 de novembro de 2020 às 04:37 | Atualizado 25 de novembro de 2020 às 10:25


O casal argelino Ahmed e Doudou, de 25 e 20 anos, tentou há algumas semanas uma travessia arriscada que já custou milhares de vidas. Em busca de melhores condições na Europa, eles deixaram seu país rumo à Líbia e tentaram atravessar o Mediterrâneo em um barco, que naufragou perto da ilha italiana de Lampedusa. Segundo o braço italiano dos Médicos Sem Fronteiras (MSF), cinco pessoas morreram entre as 20 que estavam a bordo.

Além da sorte de sobreviver, o casal teve outra surpresa semanas após o naufrágio, quando suas alianças foram encontradas no mar.

Ahmed e Doudou sobreviveram, resgatados por pescadores. "Eles ficaram no mar por 48 horas quando o barco virou, todos eles acabaram na água", disse Ahmad Al Rousan, porta-voz da Médicos Sem Freonteiras na Itália, à CNN, em uma entrevista por telefone.

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Médicos Sem Fronteiras divulgou imagem de aliança de imigrantes argelinos encontrada em mochila no barco à deriva no mar
Foto: Médicos Sem Fronteiras Itália/ Reprodução

Semanas depois do naufrágio, em 9 de novembro, equipes da ONG de resgate marítimo Open Arms encontraram um barco meio afundado à deriva no Mediterrâneo, com uma mochila vermelha dentro.

Coberta de minúsculas criaturas marinhas, a mochila continha apenas algumas coisas necessárias para a travessia. Algumas camisas, um par de sapatos sobressalentes, um carregador de telefone. E duas alianças de casamento com os nomes Ahmed e Doudou.

“Em um primeiro momento, pensamos que provavelmente as alianças pertenciam a alguém que estava morto ou perdido na viagem”, disse Riccardo Gatti, presidente da Open Arms Itália, à CNN. "Pensamos: 'isso aqui realmente pertenceu a alguém e não sabemos onde eles estão ou se ainda estão'".

A Open Arms compartilhou fotos da mochila e seu conteúdo, incluindo os anéis, nas redes sociais. O grupo também repassou as imagens à Médicos Sem Freonteira e outras organizações que fornecem apoio a sobreviventes.

As equipes de resgate que trabalham no Mediterrâneo costumam encontrar itens pessoais perdidos no mar. Mas as chances de devolvê-los a seus donos - se eles ainda estiverem vivos - são quase nulas. Al Rousan tem trabalhado em várias operações de resgate por nove anos e ele não se lembra de isso já ter acontecido.

"Quando (a Open Arms) nos contatou, eu disse a eles que era impossível encontrar os proprietários", disse. Mas eles tentaram mesmo assim, passando as fotos da mochila para algumas pessoas que estavam no mesmo barco que Ahmed e Doudou. "E então eles nos ligaram e disseram que a mochila pertencia a Ahmed".

“Falei diretamente com o Ahmed e ele começou a me explicar o que tem dentro, porque a foto que mandei era só da mochila e algumas coisas no convés”, disse ele, acrescentando que Ahmed lhe contou sobre os anéis, explicando que estavam na mochila porque o casal esperava consertá-los depois de chegar à Europa. "Eles estavam um pouco quebrados", disse Al Rousan.

"Ele me disse que estava muito feliz ao ver a foto e que estava muito emocionado com os anéis, mas ainda está em choque e disse: 'Fico pensando nas cinco pessoas que perderam a vida na nossa frente."

Gatti disse que a tripulação do barco de resgate limpou a mochila e seu conteúdo e planeja enviá-la para Ahmed assim que a quarentena pela Covid-19 terminar.