Conheça a Villa Fiorito, bairro onde Maradona cresceu e que respira futebol

O bairro alegre e colorido, a 20 km do centro de Buenos Aires, sedia a estação Fiorito, que remete à expressão italiana para 'florido'

Pedro Duran, da CNN Brasil em Buenos Aires
03 de dezembro de 2020 às 19:07 | Atualizado 03 de dezembro de 2020 às 19:08


 


Sob o belíssimo pôr do sol que colore as nuvens de laranja e lilás, um grupo de garotos joga bola na quadra do bairro. O time local se chama 'Él Paredón', do português, 'O Paredão'. No muro de concreto, o grafite com o rosto de Maradona ainda jovem anuncia: "Villa Fiorito, cidade de Deus". 

Em outubro de 1960, o pequeno Diego Armando foi levado do Hospital Evita, em Lanús, para Lomas de Zamora, na periferia de Buenos Aires. A viagem de 20 km para quem sai do centro de Buenos Aires leva 40 minutos.

O bairro alegre e colorido sedia a estação Fiorito, que remete à expressão italiana para 'florido'. Parte das pessoas que começaram a habitar a região são italianas. O censo de 2001 apontava pouco menos de 43 mil habitantes no local.

Villa Fiorito
Villa Fiorito, bairro onde Maradona cresceu e que respira futebol
Foto: Pedro Duran/CNN Brasil


 

Na quadra do Él Paredón, o estudante Alexis Torres, de 17 anos, mostra os troféus do time local e lembra do ídolo estampado na parede. "É um ídolo da 'casa de Deus' e aqui também jogou quando... antes era tudo um terreno baldio, digamos", diz. Aos 27, Viviana Jara estuda medicina e joga pelo time feminino. Ela concorda com Alexis. "[Maradona] é uma referência pra todos. Vocês estão no bairro que é do Maradona, nos conhecem por ele", afirma ela.

A casa onde Maradona viveu na infância e adolescência fica na Rua Assamor, número 523. E agora, depois da morte dele, também acabou virando uma espécie de memorial. "Vieram pessoas do Brasil, do Japão, italianos, creio que um outro do Canadá... Muitas pessoas vieram. Não era tanta gente que vinha, mas agora... vieram muitas!", diz a estudante Lucila Dominguez, vizinha do local. A casa já não é mais habitada pela família do ídolo argentino, mas continua recebendo visitas como o segurança Marco Silvero. "É um fenômeno, não há outro. E não vai mais existir", defende ele enquanto tira fotos e presta sua homenagem, ao lado da esposa.

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O hospital Evita, onde Maradona nasceu, fica próximo a Fiorito. Os políticos locais decidiram mudar o nome da rua em que ele fica, de Rio de Janeiro para Diego Armando Maradona. Isso deve acontecer em breve. Enquanto isso não acontece, não faltam homenagens para o craque que se foi. A diferença é que na Villa Fiorito, o luto dá lugar à bola rolando.

"Fiorito é futebol. A Argentina é futebol", resume o vendedor Alberto Rodriguez.