Pandemia será prioridade máxima, diz brasileira escolhida para comitê de Biden

Luciana Borio já trabalhou no conselho de Segurança Nacional da Casa Branca e foi cientista-chefe do FDA; ela defende vacinação voluntária num primeiro momento

Layane Serrano e Anna Satie, da CNN, em São Paulo
04 de dezembro de 2020 às 13:57 | Atualizado 03 de fevereiro de 2021 às 07:11

 

 

Uma das primeiras medidas anunciadas pelo presidente eleito dos Estados Unidos, Joe Biden, foi a criação de um comitê de 13 notáveis para pensar em estratégias de combate a Covid-19 no país, que tem o maior número de casos e mortes de todo o mundo. 

Um desses nomes é a médica brasileira Luciana Borio, que já trabalhou no Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca e foi cientista-chefe do FDA, agência equivalente à Anvisa no país. Em entrevista à CNN nesta sexta-feira (4), Luciana contou que o combate à pandemia será a prioridade máxima da próxima administração. 

"A gestão presente negou a gravidade da pandemia", disse. "Os dias que temos até janeiro vão ser uma calamidade em termos de saúde, porque não há sinais de que a pandemia irá se reverter nesse período. Joe Biden decidiu que essa será a prioridade máxima do governo, todos os recursos irão para combater a pandemia de maneira séria". 

Ela disse que nenhuma das gestões passadas investiu na construção de um setor público que estivesse pronto para responder a uma pandemia nessa escala. "O que foi diferente nessa administração foi a negação da seriedade", afirmou. 

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Luciana conta que o investimento principal será no aumento da capacidade de produção das vacinas. "Até o fim do ano, teremos no máximo 40 milhões de doses, não é o suficiente ara combater a pandemia", declarou. "Esse será um foco muito grande no início [do governo Biden], de janeiro a março". 

Ela disse que é essencial que as pessoas entendam que a chegada da vacina não extinguirá a pandemia imediatamente. "É muito importante que as pessoas entendam que as vacinas não vão chegar a tempo para combater a pandemia nos próximos meses. Precisamos continuar tomando precauções, evitando contato desnecessário, usando máscara sempre que estiver em locais públicos, etc", alertou.  

A especialista considera que, num primeiro momento, é ideal que a vacinação seja voluntária. "É desnecessário forçar, inclusive porque são tecnologias novas, com as quais temos menos experiência. É importante esperar que o público tenha confiança forte", disse. "Fazer vacinação voluntária é o melhor caminho". 

Sobre sua trajetória profissional, Luciana disse que teve muita sorte e uma família que a ofereceu muito apoio. "Todos temos altos e baixos, e nos baixos, é importante ter esse sistema de apoio". Ela aconselha quem quiser seguir seus passos: "Focalize no dia a dia e nunca se sinta confortável, nunca vá para casa e fale 'hoje atingi o auge e não preciso mais trabalhar duro', a gente precisa trabalhar duro todos os dias".