20 novas espécies são encontradas nos Andes bolivianos

Pesquisadores descobriram a víbora fer-de-lance da montanha, a cobra-bandeira boliviana e a rã anã, bem como espécies de orquídeas e borboletas

Aaliyah Harris, CNN
14 de dezembro de 2020 às 10:55
O Vale do Zongo é repleto de cachoeiras naturais
O Vale do Zongo é repleto de cachoeiras naturais e é conhecido como o "coração da região". Os habitantes locais dependem da floresta, já que Zongo fornece materiais de construção, energia hidrelétrica e água para a capital da Bolívia, La Paz
Foto: Cortesia/ Conservação Internacional/ Trond Larsen

(CNN) – Cientistas anunciaram a descoberta de 20 novas espécies nos Andes bolivianos. Além disso, relataram o avistamento de plantas e animais não encontrados há décadas.

Localizado próximo à capital boliviana de La Paz, o Vale do Zongo, onde foram feitas as descobertas, é conhecido como o “coração” da região. No alto, montanhas íngremes e acidentadas têm uma grande variedade de habitats bem preservados, que prosperam com uma biodiversidade exuberante.

Foi entre as florestas nubladas que os pesquisadores descobriram a víbora fer-de-lance da montanha, a cobra-bandeira boliviana e a rã anã, bem como espécies de magníficas orquídeas e borboletas.

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Reveladas em pesquisa publicada nesta segunda-feira (14), as descobertas foram feitas em uma expedição de 14 dias em março de 2017, coliderada por Trond Larsen, da organização ambiental sem fins lucrativos Conservation International.

"Em Zongo, os ruídos que você ouve são da natureza - todos os tipos de insetos, rãs e pássaros cantando, sons maravilhosos de correria e cascatas de cachoeiras. Tudo está coberto por grossas camadas de musgo, orquídeas e samambaias”, relatou Larsen à CNN.

"Não esperávamos encontrar tantas espécies novas e redescobrir espécies que se pensavam estar extintas."

Víbora venenosa

Extremamente venenosa, a víbora fer-de-lance da montanha tem grandes presas e poços sensíveis ao calor em sua cabeça para ajudar a detectar suas presas. Anteriormente desconhecida da ciência, a víbora foi encontrada em outro lugar dos Andes desde a expedição, diz Larsen.

Uma nova espécie de víbora fer-de-lance da montanha equilibrada no modo de ataqu
Uma nova espécie de víbora fer-de-lance da montanha equilibrada no modo de ataque
Foto: Cortesia/ Conservação Internacional/ Trond Larsen

A cobra-bandeira boliviana ganhou esse nome por causa de suas impressionantes cores vermelho, amarelo e verde, e foi descoberta em uma densa vegetação rasteira na parte mais alta da montanha.

Outra descoberta está entre os menores anfíbios do mundo, segundo Larsen. A rã anã ou liliputiana tem um minúsculo 1 centímetro de comprimento. Com sua cor marrom camuflada e tendência a se esconder em grossas camadas de musgo e solo, ela é quase impossível de se detectar.

“Seguimos o som delas na floresta, mas assim que você chega perto, elas ficam quietas, então é extremamente difícil localizar essas rãs”, disse Larsen.

A rã anã tem apenas 10 milímetros de comprimento.
A rã anã tem apenas 10 milímetros de comprimento.
Foto: Cortesia/ Conservação Internacional/ Trond Larsen

O vale de Zongo floresce com orquídeas de diferentes tamanhos, formas e cores. A recém-descoberta orquídea da boca de Adder tem partes que imitam os insetos habilmente, enganando-os para que transfiram pólen.

Embora as descobertas sejam novas para a ciência, elas são familiares às comunidades indígenas locais. Um bambu recém-descoberto é usado regularmente pelos povos indígenas como material de construção e para fazer instrumentos musicais de sopro.

Sapo de olhos diabólicos

Além de identificar novas espécies, a equipe redescobriu quatro espécies consideradas extintas, incluindo o incrível sapo de olhos diabólicos, que é preto com olhos vermelhos profundos. Ele havia sido visto pela última vez há 20 anos, antes de uma barragem hidrelétrica ser construída em seu habitat. Depois de inúmeras tentativas de encontrar o sapo, presumiu-se que a espécie não existia mais.

“Dado que todas essas outras expedições falharam, não pensamos que iríamos encontrá-lo e, quando o descobrimos, foi um grande momento, muito emocionante”, conta Larsen.

O sapo de olhos diabólicos, espécie vista pela última vez há 20 anos
O sapo de olhos diabólicos, espécie vista pela última vez há 20 anos
Foto: Cortesia/ Conservação Internacional/ Trond Larsen

A borboleta sátira, vista pela última vez há 98 anos, foi redescoberta na vegetação rasteira do vale do Zongo, presa em uma armadilha contendo sua fonte de alimento de frutas podres.

Corredores florestais

Alguns desses animais não podem ser encontrados em nenhum outro lugar do mundo e Larsen diz que grande parte da vida selvagem da região está tendo que se adaptar aos efeitos das mudanças climáticas. Muitas espécies estão se mudando para terras mais altas em busca de condições mais frescas, viajando por florestas que levam às montanhas.

“A menos que você mantenha esses corredores da floresta intactos, esses animais e plantas não terão como se mover e se ajustar a essas condições de mudança”, explica Larsen. “É por isso que proteger lugares como o Zongo é tão essencial diante da mudança climática."

Além de ser um refúgio para a vida selvagem, a área também é importante para as pessoas que vivem nas proximidades. Os moradores locais dependem das florestas para materiais de construção, e Zongo fornece energia hidrelétrica e água para La Paz e além.

A Conservation International afirma que as descobertas justificam a proteção da área e ajudarão a informar os planos de desenvolvimento sustentável para a região.

“A importância de proteger o vale do Zongo é mais clara do que nunca", escreveu Luis Revilla, prefeito de La Paz, em um comunicado. “Conforme La Paz continua crescendo, cuidaremos de preservar os recursos naturais próximos que são tão importantes para nosso bem-estar”.

(Texto traduzido, clique aqui para ler o original em inglês.)