Argentina quer vacinar 6 milhões de pessoas do grupo de risco até março

A Argentina possui mais de 1 milhão de casos confirmados e mais de 40 mil mortes.

Layane Serrano, da CNN
29 de dezembro de 2020 às 13:37 | Atualizado 29 de dezembro de 2020 às 16:52
Primeira pessoa foi vacinada contra a Covid-19 na Argentina nesta terça-feira (29)
Foto: CNN Brasil


 A Argentina começou nesta terça-feira (29) a imunizar a sua população contra a Covid-19 com a aplicação da vacina russa Sputnik V contra a Covid-19. Com essa iniciativa, o país é o 44º país do mundo e o quarto da América Latina, atrás do México, Chile e Costa Rica, a aprovar o uso emergencial de uma vacina para combater a pandemia. A expectativa das autoridades argentinas é a de vacinar 6 milhões de pessoas, a maioria do grupo de risco, até março. 

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“Aqui teve uma estratégia muito ousada do governo, porque negociamos com laboratórios de diferentes países que estavam testando e produzindo a vacina contra a Covid-19. A empresa que colocou à disposição em menos tempo foi a Gamaleya, com a vacina russa. Hoje estarão disponíveis 300 mil doses. A partir de janeiro vai chegar cerca de 5 milhões de doses. A expectativa do país é vacinar, entre janeiro e março, 6 milhões de pessoas de risco, além dos profissionais da saúde e da educação, para que possamos retomar logo a educação nas escolas e chegar na imunidade de rebanho", disse à CNN o sanitarista Enio José Garcia,  chefe de gabinete do Ministério da Saúde da Província de Buenos Aires

A Argentina possui mais de 1 milhão de casos confirmados e mais de 40 mil mortes. A expectativa do governo é vacinar primeiramente os profissionais que trabalham na linha de frente dentro de 72 horas.

“A quantidade de vacina que chega agora não será suficiente para vacinar todos da saúde. Vamos priorizar os que estão na unidade de terapia intensiva. Dentro do mês de janeiro, queremos imunizar todos. Há muito interesse geopolítico, mas a vacina de Gamaleya, inspira confiança, porque é uma tecnologia que se baseia em outras vacinas contra a ebola, na África. São vírus que não tem capacidade de replicar no corpo humano. É seguro, que como em outros vírus, já mostrou eficácia. Dúvida podemos ter, porque é algo muito novo, mas temos que nos embasar no conhecimento científico, em provas preliminares que dão confiança para avançar”, acrescentou. 

 Imunidade de rebanho no segundo semestre de 2021

Quando questionado sobre o processo de aprovação, Enio comenta que na Argentina o processo é parecido com o do Brasil e de outros países ocidentais:

“A maioria dos países ocidentais tem uma agência reguladora, o processo na Argentina é igual do Brasil. No Brasil é a Anvisa, aqui é a ANMAT (Administración Nacional de Medicamentos, Alimentos y Tecnología Médica). No caso da Sputnik, foi uma delegação da ANMAT até a Rússia para fazer uma inspeção no laboratório. A vacina vem aí para gerar uma imunização massiva, recuperar a economia e voltar a vida normal. Esperamos que o Brasil aprove logo um plano massivo de vacinação, porque o Brasil é um país grande e economicamente importante para a América Latina, pois alavanca a economia dos outros países da região”.

Apesar da vacinação, Enio comenta que a população argentina deverá continuar tomando os cuidados, como uso de máscara e distanciamento social, até que a imunidade de rebanho seja concretizada.

“A quarentena foi localizada aqui na Argentina.  As restrições aconteceram mais em Buenos Aires e na Grande Buenos Aires, porque o foco foi aqui na área metropolitana. Com a entrada da primavera, começaram a baixar os casos, mas estamos fechando um pouco e mais atentos por causa da nova cepa da Inglaterra. Mas as medidas de cuidados, como uso da máscara, distanciamento social, e evitar eventos massivos, vão e devem continuar, até chegar a imunização de rebanho, que na nossa expectativa deve ser em junho ou julho do ano que vem.”