Espanha vai listar pessoas que se recusarem a tomar vacina da Covid-19

Na região sul da Andaluzia as pessoas atualmente aparecem em um registro apenas se receberam a vacina, incluindo o número do lote

Julia Hollingsworth, Adam Renton, Amy Woodyatt, Harry Clarke-Ezzidio and Veronica Rocha, da CNN
29 de dezembro de 2020 às 11:49 | Atualizado 29 de dezembro de 2020 às 11:53
Araceli Hidalgo, de 96 anos, foi a primeira vacinada na Espanha contra Covid-19
Foto: Reuters

Aqueles que se negarem a tomar a vacina contra o coronavírus na Espanha serão listados em um registro que será compartilhado com todos os Estados-Membros da União Europeia, disse o ministro da Saúde da Espanha, Salvador Illa, em uma entrevista pela televisão na segunda-feira (28).

Em declarações à rede La Sexta, Illa frisou que as informações não serão tornadas públicas, de acordo com as leis de proteção de dados da Espanha, e que a vacinação não será obrigatória.

“O que será feito é um registro das pessoas que oferecemos [a vacina] e simplesmente rejeitaram”, disse o ministro. 

Profissionais de saúde já ponderaram, dizendo que a ideia apresenta perigos potenciais. “O mais importante é saber como o registro será usado”, disse Jose Luis Cobos, vice-diretor do Conselho Geral de Enfermagem da Espanha.

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“Se for para fins de saúde pública para entender melhor a Covid-19, e for anônimo, isso é uma coisa. Mas se for ‘agora estou na lista das pessoas más’, é outra coisa. Não achamos que um registro deva ser usado para infringir liberdades ou para serem usados contra pessoas”, acrescentou.

Horas depois da entrevista de Illa na televisão, a chefe da Agência de Medicamentos da Espanha, Maria Jesus Lamas, disse à rádio SER que o novo registro seria usado "para entender as causas por trás do declínio da vacinação." 

“O registro é anônimo. Não há chance de identificar ninguém no registro”, acrescentou ela.

Os 17 governos regionais da Espanha já começaram administrar vacinas. 

Na região sul da Andaluzia as pessoas atualmente aparecem em um registro apenas se receberam a vacina, incluindo o número do lote e quem a administrou para controle de qualidade, disse um porta-voz do departamento de saúde da Andaluzia à CNN .

O porta-voz referiu ainda que não existe registo de cidadãos que recusem a vacinação, embora os trabalhadores da saúde devam assinar um documento caso se recusem a se imunizar.

A Espanha tem o nono maior número de casos de coronavírus do mundo, com mais de 1,8 milhões, e o décimo maior número de mortes, com pouco mais de 50 mil mortos, de acordo com a Universidade Johns Hopkins.

(Texto traduzido, clique aqui para ler o original em inglês).