Presidente da Bolívia cria imposto para as 152 pessoas mais ricas do país

Luis Arce promulgou a Lei 1357, que será aplicada àqueles que possuírem um patrimônio superior a 30 milhões de pesos bolivianos (cerca de 23 milhões de reais)

Jéssica Otoboni, da CNN, em São Paulo
29 de dezembro de 2020 às 07:55 | Atualizado 29 de dezembro de 2020 às 08:05
Luis Arce, presidente da Bolívia
Foto: Ueslei Marcelino / Reuters

O presidente da Bolívia, Luis Arce, promulgou a Lei 1357, que cria um imposto para as 152 pessoas mais ricas do país. 

"Para a redistribuição de riqueza na Bolívia, promulgamos a Lei 1357 de Imposto às Grandes Fortunas, que se aplicará àqueles que possuírem um patrimônio superior a 30 milhões de pesos bolivianos" (cerca de 23 milhões de reais), disse Arce no Twitter nessa segunda-feira (29).

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"O imposto alcançará apenas 152 pessoas. O benefício chegará a milhares de famílias bolivianas."

De acordo com a agência France-Presse, a lei estabelece porcentagens graduais para o pagamento da alíquota: 1,4% para quem tem de 30 milhões a 40 milhões de pesos bolivianos, 1,9% para 40 milhões a 50 milhões, e 2,4% para fortunas maiores.

Arce, de 57 anos, tomou posse em novembro, após vencer as eleições presidenciais realizadas em outubro na Bolívia. Com o feito, o socialista conseguiu colocar o partido do ex-presidente Evo Morales, Movimento ao Socialismo (MAS), de volta ao poder.

Luis Alberto Arce Catacora foi ministro de Economia e Finanças Públicas de Evo de janeiro de 2006 a junho de 2017, quando teve que renunciar para tratar um câncer renal. Retornou ao cargo em 2019, o qual ocupou de janeiro a novembro daquele ano.

Os bolivianos creditam a Arce os trabalhos que culminaram no contínuo crescimento do país desde 2006. Na presidência, ele pretende dar continuidade às políticas econômicas do modelo de Evo, com foco no controle do estado sobre a produção.

Durante os 14 anos em que Evo esteve na presidência, o país andino era uma das economias mais estáveis da América Latina, cujo tipo de capitalismo socialista atraiu aplausos, mas também apresentou algumas rachaduras nos últimos anos.

A economia da Bolívia, dominada por agricultura, gás e grandes reservas de lítio, deve cair cerca de 6% neste ano, após quase três décadas de crescimento. A alta de 2,2% em 2019 foi a menor desde 2001.

Para lidar com essa questão, Arce pretende reativar a indústria doméstica e propõe uma suspensão de pagamento de dois anos sobre os cerca de US$ 1,6 bilhão em dívida externa.

(Com Reuters)