Biden manifesta preocupação com efeitos de impeachment sobre início do governo


Guilherme Venaglia, da CNN, em São Paulo
13 de janeiro de 2021 às 23:04
O presidente eleito dos EUA, Joe Biden
O presidente eleito dos EUA, Joe Biden
Foto: Jonathan Ernst - 29.dez.2020 / Reuters

O presidente eleito dos Estados Unidos, Joe Biden, elogiou na noite desta quarta-feira (13) a decisão da Câmara dos Deputados de dar seguimento ao processo de impeachment contra o atual presidente, Donald Trump.

Biden, no entanto, manifestou uma preocupação discutida nos bastidores com o seguimento do processo contra Trump: Com o impeachment pendente de julgamento no Senado, podem atrasar as aprovações das indicações para diversos cargos, bem como projetos importantes do futuro governo.

"Espero que a liderança do Senado encontre uma maneira de lidar com suas responsabilidades constitucionais no impeachment, ao mesmo tempo que trabalha em outros assuntos urgentes desta nação", disse o presidente eleito.

Nos Estados Unidos, diversos cargos de confiança do governante precisam da aprovação do Senado para que sejam empossados. Caso os senadores estejam concentrados nas discussões do impeachment, Biden pode ficar sem diversos assessores essenciais.

Ele também teria dificuldades para aprovar projetos que considera cruciais para conter os efeitos econômicos da Covid-19, como ampliar o programa de auxílio financeiro e estímulo à economia.

Entre os cargos que dependem de aprovação estão as secretarias de Estado, de Segurança Interna, da Defesa e do Tesouro, além da diretoria de Inteligência Nacional. "Muitos de nossos conterrâneos sofreram por tempo demais no último ano para atrasarmos esse trabalho urgente", argumenta Joe Biden.

Capitólio

Apesar das preocupações com o início da administração, o presidente eleito Joe Biden voltou a condenar a invasão à sede do Congresso americano e reiterou a sua crença de que os protestos violentos foram incitados por Donald Trump.

"Este ataque criminoso foi planejado e coordenado. Foi realizado por extremistas políticos e terroristas domésticos, que foram incitados a esta violência pelo presidente Trump", escreveu Biden.

A Câmara dos Deputados dos Estados Unidos aprovou, por 231 votos a 197, o seguimento do impeachment contra Trump, acusado de "incitação à insurreição".

Biden ressaltou o fato de que, além dos votos democratas, o impedimento contou também com o apoio de dez parlamentares republicanos. "Foi um voto bipartidário lançado por membros que seguiram a Constituição e sua consciência", afirmou o presidente eleito.

O processo de impeachment segue agora para o Senado. Lá, Trump só será condenado se o impedimento for aprovado por dois terços dos senadores, o que obriga os democratas a conseguirem o apoio de um número considerável -- 17 -- de parlamentares do partido do atual presidente.