Portugal vai às urnas para eleição presidencial em meio à pandemia

As pesquisas de opinião mostram que o atual presidente Marcelo Rebelo de Sousa, do Partido Social-Democrata de centro-direita, provavelmente vencerá

Victoria Waldersee e Miguel Pereira, da Reuters
24 de janeiro de 2021 às 09:46 | Atualizado 24 de janeiro de 2021 às 10:48
Bonde em rua de Lisboa durante pandemia de Covid-19 em Portugal
Bonde em rua de Lisboa durante pandemia de Covid-19 em Portugal
Foto: Rafael Marchante/Reuters (31.out.2020)

Com máscaras, distanciamento social e uso individual de canetas, Portugal vai às urnas para a eleição presidencial do país neste domingo (24) mesmo com os casos de coronavírus atingindo níveis recordes.

As pesquisas de opinião mostram que o atual presidente Marcelo Rebelo de Sousa, do Partido Social-Democrata de centro-direita, provavelmente vencerá com facilidade.

Os eleitores fizeram fila com a abertura das urnas na freguesia de Santo Antônio, em Lisboa, guiados por adesivos vermelhos no chão marcando a diferença de dois metros.

“Estou aqui entre os primeiros para evitar grupos e filas”, disse Cristina Queda, 58 anos, enquanto esperava. "Como a data das eleições não foi alterada, decidi vir mais cedo para evitar essa situação."

Pouco menos de dois terços dos portugueses consideram que a eleição deveria ter sido adiada por causa da pandemia, de acordo com uma sondagem realizada na semana passada pelo instituto de investigação ISC / ISCTE.

As pesquisas preveem uma abstenção recorde de 60% a 70%, em parte porque centenas de milhares de eleitores estão em quarentena.

O chefe da freguesia de Santo António, Vasco Morgado, disse que os conselhos tomaram todas as precauções -, incluindo até ambulâncias à porta em caso de emergência.

"É o mais seguro possível neste momento", disse Morgado. "É um ato democrático pelo qual muitas pessoas lutaram ao longo dos anos - a prova disso é que agora, mesmo em uma pandemia, as pessoas estão saindo para votar."

O país de 10 milhões de habitantes está passando por um grave surto de pandemia pós-Natal, com a maior média anual de novos casos e mortes per capita em sete dias.

As autoridades relataram um número recorde diário de 274 mortes e mais de 15.300 novos casos no sábado, com ambulâncias na fila por várias horas em hospitais lotados.

"Não concordo que a data não tenha sido alterada", disse José Antonio Queda, 72 anos, que também veio cedo com sua esposa. “Se estivermos em confinamento, devemos evitar o vírus o máximo possível”.

(Edição de Andrei Khalip e Nick Macfie)