China eleva tom e diz a Taiwan que independência causaria guerra

Porta-voz do Ministério da Defesa chinês, Wu Qian, disse que Taiwan é parte inseparável da China

Reuters
28 de janeiro de 2021 às 08:05
Força Aérea de Taiwan prepara jato para simulação de guerra
Foto: Reuters

A China endureceu sua linguagem em relação a Taiwan nesta quinta-feira (28), alertando após o recente incremento das atividades militares perto da ilha que "independência significa guerra" e que suas forças armadas agirão em resposta à provocação e interferência estrangeira.

Taiwan, reivindicada pela China como seu território, relatou que vários caças e bombardeiros chineses entraram em sua zona de defesa aérea no fim de semana, o que levou Washington a pedir a Pequim que pare de pressionar.

A China acredita que o governo democraticamente eleito de Taiwan está levando a ilha a uma declaração de independência formal, embora a presidente de Taiwan, Tsai Ing-wen, tenha dito repetidamente que já é um país independente chamado República da China – seu nome formal.

Questionado em uma coletiva de imprensa mensal sobre as atividades recentes da Força Aérea, o porta-voz do Ministério da Defesa chinês, Wu Qian, disse que Taiwan é uma parte inseparável da China.

"As atividades militares realizadas pelo Exército de Libertação do Povo Chinês no Estreito de Taiwan são ações necessárias para lidar com a atual situação de segurança no Estreito de Taiwan e para salvaguardar a soberania e segurança nacionais", disse ele.

"Eles são uma resposta solene às interferências externas e provocações das ‘forças da independência de Taiwan'", acrescentou.

Wu disse que um "punhado" de pessoas em Taiwan buscam a independência da ilha. "Advertimos esses elementos da 'independência de Taiwan': aqueles que brincam com fogo vão se queimar e 'independência de Taiwan' significa guerra", acrescentou.

O Conselho de Assuntos do Continente de Taiwan disse que a China deve pensar com cuidado e não subestimar a determinação da ilha em defender sua soberania e defender a liberdade e a democracia.

As incursões chinesas coincidiram com a entrada de um grupo de batalha de porta-aviões dos EUA no disputado Mar da China Meridional para promover a "liberdade dos mares".

A China rotineiramente descrevia Taiwan como sua questão mais importante e sensível nas relações com os Estados Unidos, que, sob a antiga administração de Donald Trump, aumentaram o apoio à ilha em termos de venda de armas e visitas a Taipei.

O governo do presidente Joe Biden, no cargo há uma semana, reafirmou seu compromisso com Taiwan como sendo "sólido como uma rocha", potencialmente pressagiando novas tensões com Pequim.

Taiwan denunciou as ameaças e os esforços de intimidação da China, e Tsai prometeu defender a liberdade da ilha e não ser coagida.