Colômbia regularizará 1 milhão de venezuelanos; ONU chama gesto de 'histórico'

Status permitirá que venezuelanos hoje ilegais trabalhem na Colômbia. ONU classificou decisão como 'gesto humanitário mais importante na região em décadas'

Por Julia Symmes Cobb, da Reuters
09 de fevereiro de 2021 às 01:39
Presidente colombiano, Iván Duque, fez anúncio conjunto com o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados, Filippo Grandi
Foto: Twitter/ Reprodução


 

A Colômbia concederá proteção legal por 10 anos a quase 1 milhão de migrantes venezuelanos no país, disse o presidente Iván Duque nesta segunda-feira (8) em um anúncio conjunto com o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados, Filippo Grandi.

O status temporário permitirá que os migrantes trabalhem legalmente na Colômbia, país que tem sido o principal destino das pessoas que fogem do colapso econômico e social na vizinha Venezuela.

Cerca de 966.000 dos 1,73 milhão de migrantes venezuelanos que vivem na Colômbia não têm atualmente status legal e deverão ser beneficiados. 

 

"Precisamos agir", disse Duque em um comunicado à imprensa. “Este processo é um marco nas políticas de migração da Colômbia”.

Grandi, da ONU, chamou o anúncio de "histórico" e disse que foi o gesto humanitário mais importante na região em décadas.

O influxo de migrantes sobrecarregou os frágeis sistemas de saúde pública e educação da Colômbia, especialmente nas áreas de fronteira.

O novo status - que terá duração de 10 anos - vai liberar aqueles que já estão legalizados de ter que solicitar novamente as permissões regularmente, disse Duque.

Além disso, os migrantes em situação irregular que entraram na Colômbia antes de 31 de janeiro são elegíveis, juntamente com os migrantes que entraram legalmente na Colômbia durante os primeiros dois anos das novas medidas.

Qualquer pessoa que não se registrar com o novo status temporário estará eventualmente sujeito à deportação, acrescentou Duque.

Duque reiterou um apelo à comunidade internacional para aumentar o financiamento para a crise, pedindo ajuda para vacinar os migrantes contra o Covid-19.

A população venezuelana na Colômbia caiu mais de 2% no ano passado, quando dezenas de milhares voltaram para casa em desespero durante mais de cinco meses de bloqueio por coronavírus que paralisou muitas partes da economia.

Mas as autoridades colombianas preveem que muitos provavelmente retornarão à medida que a economia se recuperar, trazendo com eles um ou dois migrantes adicionais.

A Colômbia disse no mês passado que manterá suas fronteiras terrestres e fluviais fechadas até 1º de março em uma tentativa de conter a disseminação da Covid-19. A maioria das viagens aéreas internacionais e domésticas estão abertas, embora haja  restrição de voos vindos do Brasil.