Facebook tira do ar a página principal dos militares de Mianmar

Empresa justificou atitude com base em sua política interna que proíbe o incitamento à violência

Reuters
21 de fevereiro de 2021 às 13:50
Milhares de pessoas protestaram em Mianmar contra golpe de estado
Milhares de pessoas protestaram neste sábado (6) em Mianmar contra golpe de estado
Foto: Reuters

O Facebook apagou no domingo a página principal dos militares de Mianmar com base em sua política interna que proíbe o incitamento à violência, disse a empresa, um dia depois que dois manifestantes foram mortos após a polícia abrir fogo em uma manifestação contra o golpe de 1º de fevereiro.

"Alinhados com nossas políticas globais, removemos a página da equipe de informações do Tatmadaw True News do Facebook por violações repetidas de nossos Padrões da Comunidade que proíbem incitação à violência", disse um representante do Facebook em um comunicado.

O exército de Mianmar é conhecido como Tatmadaw. Sua página True News não estava disponível no domingo (21).

 

O porta-voz militar não respondeu a um telefonema da Reuters pedindo comentários.

Duas pessoas foram mortas na segunda cidade de Mianmar, Mandalay, no sábado, após a polícia e soldados atirarem em manifestantes que protestavam contra a derrubada do governo eleito de Aung San Suu Kyi, disseram equipes de emergência, o dia mais sangrento em mais de duas semanas de manifestações.

Nos últimos anos, o Facebook se envolveu com ativistas de direitos civis e partidos políticos democráticos em Mianmar e se opôs aos militares depois de sofrer fortes críticas internacionais por não conter campanhas de ódio online.

Em 2018, baniu o chefe do exército Min Aung Hlaing - agora o governante militar - e 19 outros oficiais superiores e organizações, e retirou centenas de páginas e contas geridas por militares por comportamento inautêntico coordenado.

Antes das eleições de novembro, o Facebook anunciou que retirou do ar uma rede de 70 contas e páginas falsas operadas por militares que postaram conteúdo positivo sobre o exército ou críticas a Suu Kyi e seu partido. 

(Edição da Lincoln Feast)