Painel do CDC dos EUA vota por aprovação de vacina da J&J contra Covid-19

O imunizante é o primeiro em que apenas uma dose do produto é necessária; e pode ser mantido na geladeira em vez de no freezer, facilitando o transporte

da CNN
28 de fevereiro de 2021 às 18:24
Johnson & Johnson testa vacina contra o coronavírus
Johnson & Johnson testa vacina contra o coronavírus
Foto: Dado Ruvic/Reuters

O painel consultivo do Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos votou neste domingo (28) pela recomendação de uso amplo da vacina da Johnson & Johnson contra a Covid-19, o que representa a aprovação final depois de o imunizante ter conseguido aval pelos reguladores dos EUA no sábado (27).

A vacina é a primeira em que apenas uma dose do produto é necessária. Também é mais fácil de ser transportada e armazenada, pois pode ser mantida na geladeira em vez de no freezer. Ela é autorizado para pessoas maiores de 18 anos. Espera-se que o diretor do CDC aprove as recomendações do painel.

As autoridades estaduais e locais de saúde pública usarão as orientações da FDA -- agência federal dos EUA que supervisiona desde qualidade de medicamentos a alimentos -- e do CDC ao administrarem as primeiras 4 milhões de doses.

O governo federal, por meio do parceiro de distribuição McKesson Corp, planeja enviar as primeiras doses na noite deste domingo (28) ou na manhã de segunda-feira (1). A J&J espera enviar mais de 20 milhões de doses até março e 100 milhões até meados do ano, o suficiente para vacinar quase um terço dos norte-americanos.

Nos Estados Unidos, já são mais de 28,4 milhões de casos confirmados de Covid-19 e quase 511.000 mortes relatadas desde o início da pandemia.

"Uma terceira vacina segura e eficaz é uma notícia muito bem-vinda", tuítou Andy Slavitt, conselheiro sênior da Casa Branca para a Covid-19, na última sexta-feira (26).

A vacina da J&J foi testada em mais de 44.000 pessoas nos Estados Unidos, África do Sul e América Latina. 

De acordo com a agência reguladora do país, globalmente, a eficácia do imunizante para casos graves e críticos é de 66,1%. Nos Estados Unidos, a vacina é considerada 72% eficaz e oferece 86% de proteção contra as formas graves da doença.

O Comitê Consultivo em Práticas de Imunização (CCPI) desempenhou um papel importante na orientação dos Estados sobre como alocar doses escassas, embora os próprios entes federativos tenham a palavra final na distribuição das injeções.

Um dos membros do painel observou durante uma apresentação neste domingo que ainda não há estudos comparando a vacina da J&J diretamente com os imunizantes da Pfzier-BioNTech e da Moderna Inc (já aprovados), mas que todas as vacinas foram altamente eficazes na redução de hospitalizações e mortes.

"Uma dose vai mantê-lo fora do hospital, mantê-lo fora da unidade de terapia intensiva e mantê-lo fora do necrotério", disse o Dr. Paul Offit, assessor de vacinas da agência reguladora dos EUA.

O painelista também disse que não há dados suficientes para saber se a segurança ou eficácia das vacinas podem ser comprometidas por condições pré-existentes que afetem o sistema imunológico de uma pessoa.

Brasil

Uma lei aprovada em maio de 2020 obriga a Anvisa a avaliar em até 72 horas, ou três dias corridos, "quaisquer materiais, medicamentos, equipamentos e insumos da área da saúde sujeitos à vigilância sanitária" que tenham sido aprovados por quatro agências estrangeiras consideradas referências.

A regra vai além e estabelece que, caso a Anvisa não analise o pedido nesse prazo de três dias, a autorização será "concedida automaticamente". É importante observar que a Anvisa pode rejeitar o pedido, e a aprovação automática só aconteceria em caso de falta de resposta.

*Com informações da Reuters