Após protestos, oposição pede impeachment de presidente do Paraguai

É crucial para o sucesso do movimento opositor a adesão de uma facção do Partido Colorado, o mesmo de Mario Abdo, liderada pelo ex-presidente Horacio Cartes

Sanie López Garelli, da CNN
07 de março de 2021 às 11:08 | Atualizado 07 de março de 2021 às 11:15

 

Manifestante no Paraguai (06 março 2021)
Foto: Reprodução / CNN

Os dois principais grupos políticos de oposição no Paraguai, a Frente Guasú, do ex-presidente Fernando Lugo, e o Partido Liberal, articulam um pedido de impeachment do presidente Mario Abdo Benítez. O líder paraguaio é alvo de protestos de rua contra a má gestão da pandemia desde a sexta-feira (5), que já deixaram ao menos um morto no país.

É crucial para o sucesso do movimento opositor a adesão de uma facção do Partido Colorado liderada pelo ex-presidente Horacio Cartes. Apesar de dividirem o mesmo partido, Abdo e Cartes são rivais. Na última crise política paraguaia, durante a polêmica sobre a venda de energia de Itaipu a uma empresa brasileira, em 2019, foi o apoio dessa facção, chamada Honor Colorado, que impediu o afastamento de Abdo. 

No sábado, Abdo mudou quatro membros de seu gabinete e prometeu dialogar. “Sou uma pessoa de diálogo e não de confronto, e meu compromisso é ouvir a todos, tanto os que aprovam nosso governo como os que não o fazem, retificar o rumo, prestando atenção a todas as críticas. Como presidente, meu papel é servir ao nosso povo. Estou ciente de que as pessoas esperam mudanças. E eu vou fazer isso ", disse ele.

Embora ainda não tenha dado os nomes dos substitutos, o presidente paraguaio anunciou que as mudanças incluem também a Ministra da Educação, a Ministra da Mulher e o chefe do Gabinete Civil da Presidência da República.

Horas antes, o porta-voz do governo Juan Manuel Brunetti comunicou aos cidadãos que o presidente Abdo Benítez pediu a seus ministros que disponibilizassem seus cargos e que se reuniu com eles na residência presidencial para avaliar seus esforços.

Protestos no centro de Assunção

Na noite desta sexta-feira, um protesto de cidadãos exigindo uma melhor gestão dos recursos contra o novo coronavírus saiu do controle e terminou em tumultos.

Segundo as autoridades, o protesto transbordou quando um grupo de manifestantes tentou romper as grades que protegem a área do Palácio do Governo.

O ministro Giuzzio disse que a manifestação foi pacífica por muito tempo, mas depois apareceram grupos que segundo ele causaram violência.

“Esses grupos, e acho que é mais do que claro, se infiltraram nos manifestantes, geraram expressamente um motim para provavelmente causar a morte. Essa era a intenção, provavelmente financiada por pessoas que, suspeitamos quem são, vamos descobrir, porque esses grupos não vão a lugar nenhum de graça ”, acrescentou Giuzzio.

Segundo dados do Hospital do Trauma e do Hospital da Polícia - citados pelo jornal La Nación -, 8 civis e 12 policiais feridos foram atendidos durante a manifestação. A maioria dos civis, segundo o relatório, foi dispensada.

O comandante da Polícia Nacional, Francisco Resquín, disse a diversos meios de comunicação locais que não houve feridos graves entre os policiais, embora um deles ainda esteja hospitalizado.

Julio Mazzoleni renunciou nesta sexta-feira ao cargo de Ministro da Saúde do Paraguai, após uma série de denúncias de familiares de pacientes em terapia intensiva por covid-19, que afirmaram à imprensa que o Estado não lhes fornecia remédios e que estavam se endividando para salvar seus entes queridos.

Soma-se a isso o baixo número de vacinas de Covid-19 que chegaram ao país até agora e o colapso do sistema de saúde de pacientes com o novo coronavírus, conforme relatado por vários médicos.

Segundo informações oficiais, o Paraguai contratou um milhão de doses da vacina russa Sputnik V, mas recebeu apenas 4.000 doses.

Além disso, o país recebeu neste sábado a doação de 20 mil doses de Coronavac doadas pelo Chile, segundo o Ministério das Relações Exteriores.