Homem preso injustamente processa locadora de carros por não fornecer seu álibi

Recibo de aluguel de carro comprovaria que o homem não estava no local onde o assassinato pelo qual ele foi preso ocorreu nos EUA

Melissa Alonso e Scottie Andrew, da CNN
12 de março de 2021 às 12:09
Homem processou locadora de carros por não fornecer álibi nos EUA
Homem processou locadora de carros por não fornecer álibi nos EUA
Foto: Nick King / Lansing State Journal / USA Today Network

Um homem de Michigan, nos Estados Unidos, foi recentemente inocentado de assassinato, acusação pela qual passou quase cinco anos na prisão. Agora, ele está processando uma locadora de veículos por não fornecer registros que o teriam retirado da prisão antes, dizem seus advogados.

Herbert Alford foi condenado injustamente por assassinato em segundo grau em 2016 e libertado em 2020, depois que a Hertz Corporation forneceu um recibo que mostrava que Alford estava alugando um carro no aeroporto de Lansing minutos antes do assassinato acontecer. A Hertz compartilhou os documentos com o tribunal em 2018, mais de dois anos depois de a empresa ter sido contatada pela primeira vez pelos advogados de Alford.

“Se os réus não tivessem ignorado e desobedecido várias ordens judiciais exigindo que apresentassem a documentação que eventualmente libertou o Sr. Alford, ele não teria passado mais de 1.700 dias encarcerado”, escreveram os advogados de Alford em uma queixa obtida pela CNN.

Ele ficou preso por anos

De acordo com o Registro Nacional de Exonerações dos Estados Unidos, Alford foi identificado erroneamente como o atirador que matou Michael Adams, de 23 anos, em um shopping center na cidade de Lansing, em 2011.

Segundo o registro, ele foi preso em 2015, depois que um suspeito de um outro crime, relacionado às drogas, “fez um acordo com a polícia” e forneceu informações sobre Alford. Ele foi condenado por assassinato de segundo grau em 2016.

Os advogados de Alford disseram que solicitaram registros da Hertz, que corroborariam com o álibi dele. Eles disseram que a Hertz não respondeu até 2018 – mais de um ano depois que o júri condenou Alford por assassinato, entre outras acusações.

Os registros fornecidos pela Hertz em 2018 mostraram que Alford havia alugado um carro minutos antes de Adams ser morto, crime que ocorreu a cerca de 20 minutos de distância, disse o advogado de Alford, Jamie White, à CNN.

De acordo com a denúncia, Alford passou quase cinco anos preso antes que todas as acusações contra ele fossem retiradas, em fevereiro de 2020. Ele estava sob fiança de fevereiro a dezembro de 2020.

Segundo os advogados de Alford, os anos que ele passou preso por um crime que não cometeu poderiam ter sido evitados, se a Hertz tivesse fornecido o recibo quando foi solicitado pela primeira vez.

Hertz diz que tentou encontrar o recibo em 2016

A Hertz, que recentemente encontrou com pedido de recuperação judicial no tribunal de falências, disse à CNN que empresa está “profundamente entristecida ao saber da experiência do Sr. Alford”.

“Embora não tenhamos conseguido encontrar o histórico de aluguel de 2011, quando isso foi solicitado em 2015, continuamos nossos esforços com boa-fé para localizá-lo”, disse um porta-voz da empresa em nota à CNN. “Com os avanços na pesquisa de dados nos anos seguintes, conseguimos localizar o registro de aluguel em 2018 e o fornecemos prontamente”.

Desde que foi solto em dezembro, Alford está lutando para retomar a vida após a prisão, disse seu advogado White.

“Ele está passando por algumas situações agora”, disse à CNN. “Ele está tentando descobrir sua próxima ação [...] e temos esperança de que, você sabe, ele vai voltar à ativa em breve”.

Alford está buscando uma indenização superior a U$ 25 mil (o equivalente a R$ 140 mil), de acordo com a queixa. Mas não há “nenhum valor em dólares que consiga consertar isso”, disse White.

Texto traduzido. Leia o original em inglês.