Charlie Hebdo é alvo de críticas por cartoon envolvendo rainha e Meghan Markle

Revista da França produziu cartoon em que Meghan é representada como George Floyd e a rainha Elizabeth como o policial responsável pela asfixia

Amy Woodyatt and Arnaud Siad, da CNN
14 de março de 2021 às 14:26 | Atualizado 14 de março de 2021 às 14:56
Harry e Meghan em entrevista para Oprah Winfrey
Harry e Meghan em entrevista para Oprah Winfrey
Foto: Divulgação /Harpo Productions/Joe Pugliese/Reuters

 A revista satírica Charlie Hebdo, da França, causou indignação ao lançar no sábado (13) um cartoon retratando a rainha Elizabeth do Reino Unido ajoelhada no pescoço de Meghan Markle, a duquesa de Sussex, invocando a morte de George Floyd. O desenho é intitulado "Porque Meghan abandonou Buckingham", nele Meghan desenhada para dizer: "Porque eu não conseguia mais respirar!"

O cartoon da capa veio dias depois de Meghan e seu marido Harry fazerem uma série de acusações contra a família real em uma entrevista com a Oprah Winfrey - incluindo que o tom de pele do filho do casal, Archie, teria sido discutido como um problema potencial antes do nascimento.

O casal não revelou quem fez os comentários, mas disse que não era a rainha Elizabeth II ou seu marido, Philip, o duque de Edimburgo. Na entrevista, Meghan também descreveu ter pensamentos suicidas regulares durante a gravidez e o breve tempo como trabalhadora real. O casal também disse que o palácio ofereceu a Meghan e Archie segurança e proteção inadequados.

Halima Begum, CEO do instituto de pesquisas sobre igualdade racial Runnymede Trust, disse que o desenho estava "errado em todos os níveis".

"A Rainha como o assassino de GeorgeFloyd esmagando o pescoço de Meghan? Meghan dizendo que ela não consegue respirar? Isso ultrapassa os limites, não faz ninguém rir e desafia o racismo. Isso rebaixa as questões e causa ofensa, em toda a linha", disse ela no Twitter.

A entrevista de Meghan e Harry gerou amplas discussões sobre racismo tanto na família real quanto na mídia do país.

O príncipe William negou esta semana que a família real seja racista, dizendo a um repórter: "Não somos uma família racista".

Em um comunicado em nome da rainha, o Palácio de Buckingham disse na terça-feira (9) que as alegações de racismo feitas pelos Sussex eram preocupantes e "levadas muito a sério".

O Palácio de Buckingham e os representantes do duque e da duquesa de Sussex se recusaram a comentar o desenho publicado no Charlie Hebdo.

Foto: Charlie Hebdo

A publicação semanal com sede em Paris, que foi fundada em 1970, é famosa por seus desenhos provocativos e com retratações de quedas de políticos, figuras públicas e símbolos religiosos.

Em 2015, os irmãos Said e Cherif Kouachi invadiram a redação da revista e atiraram em funcionários, matando 12 pessoas e ferindo 11 trabalhadores depois que a revista publicou charges do Profeta Maomé.

O ataque à revista fez parte de uma série de ataques mortais que mataram 17 pessoas na capital francesa durante três dias em janeiro de 2015.

Max Foster, da CNN, contribuiu com reportagem.

Texto traduzido. Leia aqui a versão original em inglês.