Biden diz que Putin ‘pagará preço’ por interferência em eleição dos EUA

Relatório de inteligência apresentado na terça-feira (16) reforçou alegações de que presidente russo estava por trás da tentativa de favorecer Donald Trump

Da CNN, em São Paulo
17 de março de 2021 às 10:37 | Atualizado 17 de março de 2021 às 22:54

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, disse nesta quarta-feira (17) que o presidente da Rússia, Vladimir Putin, enfrentará consequências por direcionar esforços para manipular a eleição presidencial de 2020 nos EUA em favor de Donald Trump.

"Ele pagará um preço", disse Biden à ABC News em entrevista que foi ao ar nesta quarta-feira. Indagado quais seriam as consequências, ele respondeu: "Você verá em breve".

Seus comentários foram feitos depois que um relatório da inteligência dos EUA, apresentado na terça-feira (16), reforçou as antigas alegações de que Putin estava por trás da tentativa de interferência de Moscou nas eleições, uma acusação que a Rússia chamou de infundada.

Ao mesmo tempo, Biden observou que "há lugares em que é do nosso interesse mútuo trabalharmos juntos", como a renovação do acordo nuclear START, acrescentando que os dois líderes têm uma história.

Presidente dos EUA, Joe Biden, prometeu medidas contra Putin por tentativa de interferência em eleição
Foto: Tom Brenner - 12.mar.2021/Reuters

"Eu o conheço relativamente bem", disse Biden, acrescentando que a coisa mais importante em lidar com líderes estrangeiros é “conhecer a outra pessoa".

Biden disse achar que o líder russo não tenha alma. Questionado se achava que Putin era um assassino, ele disse à ABC: "Eu acho." 

O relatório norte-americano

A avaliação sobre a possível interferência russa foi feita em um relatório de 15 páginas publicado pelo gabinete do diretor de Inteligência Nacional do país. 

O documento ressalta alegações de que aliados de Trump atuaram em consonância com Moscou ao amplificarem acusações feitas contra Biden por figuras ucranianas ligadas à Rússia no período que antecedeu a votação do dia 3 de novembro.

Agências de inteligência dos Estados Unidos encontraram outras tentativas de influenciar eleitores, incluindo uma "campanha de influência e abordagem múltipla" conduzida pelo Irã para sabotar o apoio a Trump, que havia retirado os EUA de um acordo nuclear com o país islâmico e imposto a seu governo novas sanções. 

O relatório também desmentiu uma narrativa endossada pelos aliados de Trump de que a China estaria interferindo em benefício de Biden, concluindo que o governo de Pequim "não organizou iniciativas de interferência". 

"A China buscou estabilidade em sua relação com os Estados Unidos e não enxergou que um determinado resultado fosse vantajoso o suficiente para arriscar uma represália caso fosse pega", diz o documento. 

Autoridades norte-americanas também dizem que houve tentativas vindas de Cuba, Venezuela, e do grupo militante libanês Hezbollah para tentar influenciar a eleição, embora "de maneira geral, avaliamos que essas foram menores em escala do que as conduzidas por Rússia e Irã".

(Com informações da Reuters)