Programa-piloto nos EUA substitui policiais por profissionais da saúde

Nos 748 chamados atendidos por profissional de saúde, todas as pessoas foram encaminhadas para abrigos e ninguém foi preso

Heloísa Villela e Stela Jordy Da CNN, em Nova York e em São Paulo
21 de março de 2021 às 14:22 | Atualizado 21 de março de 2021 às 15:59

 

Nos Estados Unidos, uma em cada quatro mortes causadas por oficiais envolve alguém com doença mental grave. Um programa-piloto adotado em Denver, no Colorado (EUA), está mudando essa estatística ao substituir policiais por profissionais da saúde nas chamadas que envolvem abuso de substâncias ou pessoas com a saúde mental comprometida. 

A mudança já tem gerado resultados positivos. De junho a dezembro de 2020, em 748 chamados atendidos por uma dupla que continha uma profissional de saúde, todas as pessoas foram encaminhadas para abrigos ou centros de tratamento, e ninguém foi preso — o que certamente aconteceria caso tivessem sido atendidos por policiais. A medida desafoga os departamentos jurídicos e a própria polícia.

O diretor de polícia de Denver, Scott Snow, é um dos idealizadores da proposta e conta que desde 2012 o currículo dos policiais vem sendo revisado e começaram a ser adotados treinamentos específicos para intervenção de crise.

“A ideia não era excluir a polícia, mas se perguntar qual é a melhor abordagem que o departamento de polícia poderia oferecer, especificamente, em casos de necessidade de saúde”, diz Snow. 

Programa em Denver (EUA) substitui policiais por profissionais de saúde
Foto: Reprodução / CNN

O projeto foi viabilizado após, em 2018, a própria população da cidade ter votado a favor da criação de um programa para tratar doenças mentais e dependências químicas. Com um imposto de 0,25% sobre as vendas do comércio local, eles levantaram US$ 35 milhões, a fim de colocar a ideia em prática. 

Os profissionais da saúde não atendem chamados que envolvem alguém armado, mas socorrem pessoas à beira de um suicídio, por exemplo. Para a assistente social Carleigh Seilon, que integra a equipe, solucionar os problemas sem julgar os envolvidos é um dos focos de sua atuação.

"Na rua, me visto de forma casual e me apresento sempre tentando ajudar os outros e sendo acolhedora, agindo de forma não julgadora, tentando ouvir a necessidade das pessoas e criando soluções para os problemas do momento”, diz Carleigh.