Em retaliação às sanções de Biden, Rússia expulsará dez diplomatas americanos

Ministro russo afirma que resposta é "uma questão de ação e reação"; apesar das novas sanções, Biden diz querer "atenuar" tensões com os russos

Nicole Gaouette, Zahra Ullah, Anna Chernova e Jennifer Hansler, da CNN
16 de abril de 2021 às 16:10
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O presidente da Rússia, Vladimir Putin
Foto: Alexei Nikolskyi - 27.mai.2020/ Kremlin/ Sputnik/ Reuters

O ministro de Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, disse nesta sexta-feira (16) que o país expulsará dez diplomatas norte-americanos, freará as atividades de grupos sem fins lucrativos dos EUA em território russo e restringirá oficiais americanos em uma série de medidas em retaliação às sanções que o presidente Joe Biden anunciou na quinta-feira (15) contra o Kremlin.

Em uma coletiva de imprensa em Moscou, Lavrov e seu par sérvio descreveram as medidas como uma resposta de “ação e reação” ao anúncio de sanções da administração Biden, que têm como objetivo punir Moscou pela interferência nas eleições presidenciais de 2020 nos EUA, pelo ciberataque à empresa de softwares SolarWinds, pela ocupação e “violações severas dos direitos humanos” na região da Crimeia.

As penalidades dos Estados Unidos também prevêem a expulsão de dez diplomatas russos em Washington, incluindo “representantes dos serviços de inteligência da Rússia”, devido ao ciberataque e à intromissão nas eleições.

“Dez diplomatas estão na lista dos EUA enviada a nós, na qual eles pedem que a partida deles dos Estados Unidos seja assegurada. Nós respondemos da forma “ação e reação” a isso. Também ordenaremos que dez diplomatas deixem nosso país”, disse Lavrov

O ministro ainda afirmou que a Rússia colocará outros oito oficiais americanos em uma lista de sanções ainda na sexta-feira, sem especificar quais serão escolhidos.

Oficiais dos EUA sofrerão sanções

“Há algum tempo, antes do pacote anunciado recentemente por Biden, os americanos adicionaram oito representantes da estrutura e liderança russa, incluindo pessoas da administração presidencial e do gabinete do Promotor Geral, à lista de sanções”, afirmou Lavrov. “Hoje publicaremos uma lista de oito oficiais que representam estruturas do governo de Washington. Eles também serão incluídos em nossa lista de sanções”.

O ministro disse que o Kremlin tomará ações contra grupos sem fins lucrativos dos EUA imediatamente, dizendo que “iremos restringir e encerrar atividades de fundações e organizações não governamentais americanas, que, na verdade, interferem diretamente na nossa vida política doméstica”.

A Rússia também considera medidas mais “dolorosas” contra negócios americanos, disse Lavrov, afirmando que seriam tomadas em resposta às sanções que os EUA impuseram sobre a dívida governamental russa e acrescentando que, por enquanto, o Kremlin mantém esses passos “na reserva”.

O governo Biden está barrando instituições financeiras dos EUA de se envolverem com títulos emitidos pelo banco central da Rússia e outras instituições financeiras proeminentes no mercado primário. As instituições financeiras americanas já não eram grandes compradoras de títulos russos, mas a sua retirada total do mercado como compradores em potencial ainda pode ter um impacto significativo, disse Gary Hufbauer, ex-oficial do Tesouro dos EUA e associado sênior do Instituto Peterson de Economia Internacional.

“Por razões óbvias, não temos comparações equivalentes da influência dos Estados Unidos nessa escala”, disse Lavrov na sexta-feira, acrescentando que “nossos especialistas” acreditam que a economia russa pode aguentar a retirada. “De qualquer forma, sempre encontramos e continuaremos encontrando uma saída para todas as situações. Mas também temos a oportunidade de tomar medidas dolorosas contra os negócios americanos. Por enquanto, as manteremos na reserva”, alarmou o ministro. 

Biden disse na quinta-feira que as sanções contra a Rússia são uma resposta proporcional aos ciberataques sofridos pelos EUA e às interferências em duas eleições presidenciais, mas também enfatizou que “este é um momento de atenuar” as tensões com o país.

Tentativas de evitar o agravamento das tensões

Presidente dos EUA, Joe Biden, em Washington
Presidente dos EUA, Joe Biden, em Washington
Foto: Erin Scott/Reuters (2.abr.2021)

Durante o anúncio de quinta-feira, os Estados Unidos formalmente nomearam o Serviço de Inteligência Internacional da Rússia como a força por trás do hackeamento da SolarWinds, que afetou o governo federal e grande parte do setor privado.

Durante o posicionamento na Casa Branca, Biden afirmou que disse ao presidente russo Vladimir Putin em uma ligação na quinta-feira que “ele poderia ter ido além”. O presidente americano declarou que, apesar de querer diminuir as tensões, tornou claro a Putin que ele não hesitaria em tomar ações mais severas no futuro.

“Nós não podemos permitir que um poder estrangeiro interfira nos processos democráticos e fique impune”, disse Biden.

Ele acrescentou, “eu disse [a Putin] que responderíamos em breve, de forma comedida e proporcional, pois concluímos que eles interferiram nas eleições e o caso da SolarWinds foi...totalmente inapropriado”.

Os dez diplomatas russos que vivem Washington e Nova York e estão sendo expulsos têm 30 dias para deixar o país, e um oficial americano que conhece o plano do governo esclareceu algumas questões. Quando perguntado sobre como os EUA escolheram os dez diplomatas a serem expulsos, o oficial sênior do governo disse a jornalistas que esses indivíduos “estão agindo de maneira inconsistente com seu status nos Estados Unidos”, e se recusou a dar mais detalhes.

(Texto traduzido. Leia o original em inglês).